Daniel Junior, campeão olímpico: "esse título é temporal e marca o hoje e não o futuro"



Daniel Junior, treinador campeão olímpico pelo Brasil, esteve à conversa com a Zona Técnica Futsal. 

O treinador que comandou a equipa campeã olímpico ao bater a Argentina na meia-final e a Rússia na final falou da formação dos atletas brasileiros, da conquista e da perspectiva do futsal.

ZT-  Depois desta conquista importante para o futsal brasileiro. Como vês o estado da formação do futsal no Brasil?
DJ - O Brasil tem boas escolas de formação de atletas, ainda que por ser um país de dimensões muito grande não consegue uniformizar suas metodologias. Em algum momento isso é interessante por ter diferentes características de atletas mas em outros aspectos dificultadores quando em um pouco espaço de tempo precisa formar uma seleção. Existe no momento um movimento em direção à melhora na formação dos profissionais em virtude da criação da Escola Nacional de Treinadores, diversos cursos com profissionais capacitados o que auxilia muito no desenvolvimento complexo do atleta. 

ZT - Desta geração que futuros craques podemos esperar? 
DJ - A equipe olímpica campeão provavelmente revelará para o mundo inúmeros atletas como Françoar, Neguinho, Breno e Guilhermão, além de Wesley e Caio. Outros que já passaram pela seleção brasileira de base já estão pelo mundo como Jacaré (ex-benfica) e Matheus Kogikoski que brilha na SportZone, inclusive no futebol de campo como Papagaio no Palmeiras. 

ZT - Como foi esta experiência de estar nos jogos olímpicos. Alguma historia engraçada que queira partilhar? 
DJ - Estar nos Jogos Olímpicos é a oportunidade máxima de aprendizado em relação a esportes, metodologias, treinamentos e vivências. Ainda que seja de idades menores, os jogos trazem para nós treinadores a possibilidade de partilhar conhecimentos ricos com outros profissionais como fiz com o treinador da seleção portuguesa feminina de futsal sobre os bloqueios das bolas paradas da equipe russa; a observação de algumas sessões treinamento da seleção bielorrussa de ginástica; o aprendizado ainda maior sobre a psicologia do esporte em nossa equipe e outras. Para mim a grande experiência vem das inúmeras possibilidades de desenvolvimento. 

ZT - Importância desta medalha e da presença do futsal nas olimpíadas?
DJ - Para o Brasil a medalha traz a certificação de uma momentânea potência no futsal mundial. Momentânea, pois esse título é temporal e marca o hoje e não o futuro. Há de se trabalhar muito para manter certa hegemonia visto a qualidade demonstrada por grandes seleções e outras tantas que não tiveram. Para o futsal como modalidade apenas, demonstrou a todos o quanto apaixonante é este esporte visto a interatividade do público nas partidas. O futsal garantiu entretenimento a quem estava presente; grande potencial de retorno midiático em função das transmissões; boa qualidade técnica e possibilidade de melhora dos atletas por existir uma competição de base de nível mundial.

 ZT - Que diferenças faz entre o futsal sul americano e o futsal europeu?
DJ - As diferenças estão voltadas as relações técnica, táticas e emocionais ainda que em alguns momentos conceituamos erroneamente a tática no futsal. Atletas sul-americanos parecem ter uma relação individual com a bola de maior perícia porém em vários momentos decidem de forma equivocada ao não compreender como resolver os problemas do jogo. Muitas vezes ao entenderem-se capazes de resolver todo e qualquer situação do jogo em função de técnicas apuradas não desenvolvem uma relação perceptiva do jogo. Parece-me que os europeus possuem tais aspectos coletivos e decisionais mais apurados. Em relação as emoções que interferem na performance, culturalmente europeus possuem uma educação e inteligência emocional mais desenvolvida.

ZT - Quem são as sua principais referências no futsal? 
DJ - Minhas maiores referências são filosóficas e existencialistas como Sartre, Sócrates, Leandro Karnal e outros que dominam o comportamento humano atual como Daniel Khanema, e Yuval Noah Harari. Em relação a pedagogia do esporte volto-me muito as pesquisa oriunda da Universidade do Porto em especial Julio Garganta e também Bruno Travassos (da UBI) e no Brasil Wilton Santanna. No futsal, Fernando Ferreti, Miltinho, João Romano e Vander Iacovino  são minhas maiores inspirações em relação aos seus pensamentos voltados ao jogo.

ZT - Depois do ouro olímpico quais as tuas metas como treinador?
DJ - Desenvolver-se cada vez mais. Estudar e trabalhar com os melhores independente dos resultados que vierem, mas estar sempre com os melhores

    
Auxiliar Técnico JEC/Krona Futsal e Treinador da Equipe Sub 20
Treinador da Seleção Brasileira Sub 17/18
Formado em Educação Física CREF 01127-G/RS
Especialista em Psicologia do Esporte
Especialista em Treinamento Esportivo





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