Seleção nacional de futsal para cegos da ACAPO
Depois da prova, realizada em Málaga, a equipa teve de abandonar os treinos “por falta de apoio”. Agora, com a esperança renovada e um novo fôlego, a seleção está de regresso ao trabalho e pretende angariar apoios para participar no Europeu da Turquia, que decorre entre os dias 28 de setembro e 3 de outubro.
O treinador da equipa, Marcos Aquino, garante que “a seleção é fantástica e tem potencial para ser o elemento surpresa” durante o europeu.
A preparação para a competição está a ser feita em dois treinos semanais no Clube Infante de Sagres que, tal como apontou o técnico em declarações à Viva, foi “o único” a ceder o espaço de forma gratuita.
Ainda assim, o futuro da seleção continua incerto, uma vez que, no fim do verão, com o recomeço dos treinos de hóquei, a equipa poderá ter de procurar outro local para treinar, já com o europeu mesmo à porta.
As regras do jogo
O campo de futsal para cegos “é igual ao de futsal normal”, só que o jogo é realizado em recintos com tabelas para que a bola não se afaste. Além disso, acrescentou Marcos Aquino, “todos os jogadores usam uma venda nos olhos e só o guarda-redes tem visão total”.
A partida desenrola-se com cinco jogadores em cada equipa. Enquanto os guarda-redes orientam a sua defesa, atrás de cada baliza está um guia que orienta os atacantes. O treinador, no meio campo, fica também com a responsabilidade de ajudar os jogadores. Para Marcos Aquino, que já foi guarda-redes profissional de futsal no Brasil, a equipa está em boas condições para participar no Europeu.
De acordo com o técnico, a seleção precisa de 25 mil euros para conseguir cumprir a próxima etapa, já a contar com o valor da inscrição no europeu, bilhetes de avião e despesas com materiais desportivos.
A ambição dos jogadores é posicionar a equipa entre os dois primeiros lugares, de modo a assegurar a participação no mundial de futsal para cegos, que se realizará em fevereiro de 2012, no Rio de Janeiro, e nos Jogos Parolímpicos, em Londres.
Entretanto, depois do europeu, a equipa vai tentar participar na liga espanhola de futsal para cegos de modo a não perder o ritmo de jogo. Trata-se também de uma forma de preparação mais intensa para o mundial, esclareceu Marcos Aquino, que começou a trabalhar com jogadores cegos porque ficou “impressionado” com o desempenho dos atletas. Uma prova de que, mais do que com os olhos, há quem jogue com o coração.
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