414 dias depois, Beatriz Silva regressa às quadras



Beatriz Gonçalves Andrade Coelho da Silva, nascida a 14 de Fevereiro de 2000, não é de todo um dos nomes mais mediáticos do futsal feminino português, mas é já um nome eternizado na história do mesmo.

 A jovem portuguesa de 19 anos, natural de Lisboa, desde cedo que mostrou que o seu brinquedo preferido era uma bola e aos 8 anos começou a jogar federada no GD Ismailitas. Seguiu-se passagem pelos Leões de Porto Salvo e depois o Benfica, clube onde milita até agora, mas por mais conquistas que esta ainda possa ter na sua esperada longa carreira, Beatriz Silva viveu já um momento glorioso com as cores nacionais, foi uma das 10 campeãs olímpicas de Buenos Aires a 17 de Outubro de 2018.

Depois dessa conquista previa-se uma época histórica para esta jovem que tinha tanto de franzina (1,59 m e 51 kg) como de boa jogadora, mas esta tinha outro destino traçado, e é por isso que vos falamos dela hoje, numa crónica que não é muito habitual no nosso site, mas que a nosso ver por toda a sua envolvência merece este destaque, e por isso estivemos à conversa com a Beatriz.

 

» A LESÃO

Cumpria-se um mês certo desde a conquista olímpica e o Benfica no Campeonato Distrital de Juniores o Caxienses. Beatriz Silva já fazia parte da equipa sénior, mas como tinha idade de júnior era ainda chamada a jogos deste escalão, tal como aconteceu nesse dia.

Só não se esperava o que aconteceu já perto do apito final, e numa altura onde o Benfica goleava na partida, Beatriz não se privou de pressionar uma adversária que conduzia a bola e, quando se aproximava da mesma, a travar viu o seu pé a prender e o joelho a torcer para dentro, e segundo a própria jogadora, “no momento em que fiz a lesão tive logo a noção que tinha feito algo grave no joelho pelas dores que sentia”.

O prognóstico não era muito bom, e o diagnóstico veio a confirmar uma rotura total do Ligamento Cruzado Anterior, com rotura parcial do ligamento lateral interno e ainda rotura do menisco externo que lhe confirmavam desde logo um mínimo de 6 meses parada após a operação e Beatriz não esconde a frustração que sentiu quando recebeu essa noticia: “Quando o médico me disse mesmo o que tinha e começou a planear a cirurgia caiu-me tudo. Quando uma pessoa enfrenta este tipo de lesão, sabe que o tempo mínimo de recuperação são 6 meses, não é fácil pensarmos a longo prazo quando se trata de uma lesão, muito menos quando nos tira algo que é tão importante para nós”.

Uma partida do destino que lhe estragava desde logo aquela temporada de 2018/19 que tinha começado da melhor forma com a subida ao plantel sénior do Benfica e com a conquista do Ouro Olímpico, mas Beatriz afirma: “ganhei muito mais do que aquilo que realmente perdi. Perdi muito, mas aprendi tanto”.

A cirurgia veio só a 3 de Janeiro de 2019, e seguia-se então uma longa e dura recuperação.

 

» A RECUPERAÇÃO

Estas lesões têm sempre um processo de recuperação demorado e duro, sendo que devido à fragilidade das articulações presentes na zona da lesão, a recuperação tem de ser total para evitar ao máximo a reincidência destas lesões.

Segundo Beatriz, durante este ano de recuperação, “foram quase 300 sessões de fisioterapia e muitas horas de ginásio, a estrutura que o Sport Lisboa e Benfica me disponibilizou nesta recuperação foi incansável, tive direito a uma fisioterapeuta incrível que me fez acreditar dia após dia, uma nutricionista e fisiologista que me acompanham diariamente”.

Para além desse grande apoio do clube houve mais pessoas importantes nestes meses de angústia: “Sem dúvida que a minha família foi o meu grande pilar, ajudaram-me sempre em tudo e os meus amigos também”.

O tempo mínimo era então de 6 meses, mas foram mesmo 12 longos meses que terminaram no passado domingo, a 5 de Janeiro de 2020.

 

» O REGRESSO

Como já dito anteriormente, foram então no total mais de 13 meses, mais de 59 semanas, e um total de 414 dias sem jogar oficialmente qualquer partida de futsal.

O regresso foi então no passado domingo pelas 18 horas na deslocação ao reduto do Povoense, no Pavilhão da Escola Secundária Aristides Sousa Mendes e Beatriz relata-nos o que sentiu em dois momentos distintos.

Primeiro na entrada oficial da equipa onde afirma: “quando entrei novamente na entrada oficial com a equipa e vi que tinha os meus pais, o meu irmão e outras pessoas que foram tão importantes nesta recuperação na bancada senti-me sobretudo muito grata e feliz”, bem como na entrada em campo para os seus primeiros minutos nesta época 2019/20 onde a jovem promessa admite que o sentimento é inexplicável, acrescentando que “foi o parar de sonhar acordada e dizer para mim mesma que consegui”.

Estava então consumado o regresso às quadras, mas e quanto ao futuro?

 

» OBJETIVO ACADÉMICO E SONHO NACIONAL

 Em 2019 Beatriz Silva não fez então qualquer jogo oficial, mas foi um ano importante na sua vida pessoal, o ano em que terminou o secundário e ingressou no ensino superior.

A internacional jovem portuguesa em 16 ocasiões é este ano caloira de Gestão no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa, e em ano de Mundial Universitário a questão sobre o sonho em participar nessa competição era inevitável.

Para além disso, questionámos também a Beatriz quanto ao sonho em representar a seleção A, algo que não se prevê a curto prazo, mas que é também inevitável perguntar às campeãs olímpicas, excluindo Fifó do grupo de 10 por já ter alcançado esse patamar, se sonham, e se para alem de sonharem se acreditam, que podem cumprir esse objetivo máximo de todas as futsalistas portuguesas.

Devido ainda a esta lesão, Beatriz acabou mesmo por falhar o estágio de sub-21 que serviu como primeiro ponto e observação/preparação para essa competição, mas ainda assim Beatriz mostra-se confiante na luta por estes sonhos: “Costumo dizer que sou feita de sonhos e como já cumpri alguns, estou sempre a trabalhar para cumprir os outros tantos que ainda não consegui. A seleção sub-21 / universitária é um desses sonhos sem dúvida, para não falar da seleção A, que é um grande objetivo/sonho meu”.

Quanto às seleções estamos então esclarecidos, e no Benfica?

 

» MEIA ÉPOCA EM PERSPETIVA

Beatriz regressou a 5 de Janeiro, encontra uma equipa num belo momento de forma, numa época onde têm tornado fácil as partidas disputadas, e lembrando que quando esta se lesionou o clube tinha um treinador e neste momento tem outro, ainda assim esta destaca a importância das colegas de equipa na sua adaptação ao sistema e ao ritmo de jogo que estas já apresentam, dizendo: “Chegar a meio da época é sempre complicado pelo ritmo de jogo já apresentado, mas as minhas colegas têm sido fenomenais comigo, ajudam-me sempre e é um orgulho poder jogar ao lado delas pela qualidade e experiência que têm”.

Para terminar a entrevista deixou-nos ainda os seus objetivos coletivos, onde deseja que no Benfica sejam “pentacampeãs da Taça de Portugal e tetracampeãs nacionais”, isto é, vencer todos os títulos nacionais em disputa, e como objetivos pessoais a jogadora afirma que só pensa em: “superar-me dia após dia”.

 

» O INICIO DO FIM DA “TORMENTA BEATRIZ”

Poderia ser o nome de mais uma das tempestades que agora por hábito são batizadas com nomes pessoais, mas é apenas uma metáfora daquilo que se encontrou no conjunto encarnado desde o início da temporada até então.

O Benfica segue invicto esta temporada, e depois do empate na supertaça que terminou com uma vitória nas grandes penalidades, as tricampeãs nacionais somam nesta primeira fase do Campeonato Nacional 12 jogos, 12 vitórias, 78 golos marcados e 9 sofridos. Mas nem tudo foram rosas para Pedro Henriques e a sua equipa técnica que têm um plantel que esta temporada foi muito atingido pelas lesões, algo que levou algumas juniores a serem chamadas à equipa sénior, com maior destaque para Joana Silva e Catarina Ribeiro que o fizeram por mais tempo. Mas dessas lesões do SL Benfica, as 3 mais demoradas foram curiosamente das 3 Beatriz que fazem parte do plantel. Beatriz Silva e Beatriz Marques já partiram lesionadas para esta temporada, enquanto Beatriz Sanheiro se lesionou logo no início da mesma.

Beatriz Silva regressou agora aos jogos, Beatriz Sanheiro já treina com a equipa e Beatriz Marques ainda está em recuperação, mas esta “tormenta” começa a dissipar-se e Pedro Henriques poderá então começar a contar com um plantel com mais algumas soluções.


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