José Maria Garcia: "Ricardinho foi Maradona, foi Messi, foi tudo neste desporto e ainda tem muito para dar ao futsal."
José Maria Garcia, dono do Movistar Inter concedeu ao jornal ABola uma entrevista onde indica que "Ricardinho foi Maradona, foi Messi, foi tudo neste desporto e ainda tem muito para dar ao futsal.", numa entrevista que pode ler aqui.
Nos últimos dias, Ricardinho mostrou descontentamento por algumas atitudes do clube para com ele e que não considera justas. Que comentário faz?
— A história mostra que não há nenhum jogador que tenha estado ao nível mais alto e que não tenha dificuldade sem admitir que no clube onde brilharam já não contam com ele. Basta lembrar, no futebol, os casos de Di Steffano que passou do Real Madrid para o Espanhol, do Kubala que foi do Barça para o Espanhol, do Maradona, que saltou do Nápoles para o Sevilha ou do Cruyff que chegou a vestir a camisola do Levante. É a lei da vida. Creio que, ao fazer essas declarações, Ricardo cometeu um erro a que não se deve dar demasiada importância. Não é verdade que ninguém do clube o tenha contactado. É certo que eu não o pude fazer, porque estou confinado fora de Madrid com a minha mulher que está doente, mas o nosso diretor-geral falou com ele.
Também se queixa que o clube o meteu em lay-off sem o ter consultado…
— Ele soube-o como toda a equipa e sendo subcapião ainda mais esteve
É verdade que, decretado o estado de emergência, o clube não o deixou passar a quarentena em Portugal?
— Essa é outra queixa que não entendo. A nós não nos pediu nenhuma autorização, todos os jogadores brasileiros do plantel foram para o seu país. E com mais razão, por estar aqui ao lado, o Ricardo poderia ter ido para Portugal se nos tivesse solicitado.
Como estão os pagamentos?
— Para mim nunca é agradável falar de dinheiro, acho feio,não quero entrar em pormenores,mas uma coisa que posso garantir é que o Inter não deve absolutamente nada a Ricardinho.
O play-off está previsto que no final de junho ou princípio de julho. O Ricardinho vai jogar?
— Se for em junho claro que sim, será a sua despedida, mas se for em julho não irá, o seu contrato termina no dia 30 e não há nenhuma hipótese de que possa ser renovado. De resto, se for marcado para o mês que vem, o mais provável é que não possamos apresentar a principal equipa.Teremos vários jogadores que regressam de empréstimo e não é lógico que tenham de defrontar as equipas de onde vêm.
Reconhece a importância que Ricardinho teve para a equipa?
— Muito mais que importante,foi absolutamente fundamental. Ao longo da existência do nosso clube tivemos grandes figuras, mas ele ocupa o principal lugar do pódio pelo que jogou e pelo seu sempre sensacional comportamento. Este ano, mesmo sabendo que ia embora, esforçou-se ao máximo, lutou até ao limite das suas forças. Só lhe posso estar profundamente agradecido.
Como é ele como pessoa?
— É uma pessoa maravilhosa, terá as suas particularidades, como todos temos, mas é um senhor.Volto a repetir que acho que talvez se tenha equivocado com as suas declarações, mas também não há que dar-lhes excessivo relevo por-que o certo é que se pomos num lado duma balança as coisas boas e na outra as que podem não o ter sido tanto, no caso de Ricardo, as boas ganham por goleada.
E como jogador?
— É uma maravilha, um autêntico fenómeno, connosco ganhou cinco Bolas de Ouro seguidas. Em grande parte graças a ele, batemos todos os recordes de títulos.
A equipa vai sentir a ausência de Ricardinho?
— Esperamos que seja o menos possível. Substituir um jogador como Ricardinho é muito difícil, ele marcou uma época brilhante da história do nosso clube, mas achá-mos que chegou o momento em que tem que nos deixar. Não só ele. Outros veteranos também vão sair, tudo tem um fim e o que vamos fazer é remodelar a equipa com jogadores jovens de grande futuro e manter Pito, um brasileiro que creio que irá ser Bola de Ouro nos próximos anos. Nós temos a responsabilidade de 50 famílias cuja sobrevivência depende da nossa boa ou má gestão e por isso estamos obrigados a medir muito bem a relação entre o valor do contrato e o rendimento de cada jogador.
Está a insinuar que o rendimento de Ricardinho não foi nos últimos tempos o mesmo que anteriormente?
— Os anos passam para todos e, mesmo com menor rendimento, Ricardinho continua a ser o melhor de todos. Ricardinho foi Maradona, foi Messi, foi tudo neste desporto e ainda tem muito para dar ao futsal. A pergunta é: sendo assim, porque o deixamos sair? A resposta é a que já antes dei.
Acha, então, que aos 34 anos irá ter sucesso em França?
— Disso não tenho nenhuma dúvida. Estou totalmente seguro que com ele o nível do futsal francês irá melhorar muito. Desejo- lhe toda a sorte do mundo e quero dizer-lhe que, esteja onde estiver, o Inter Movistar sempre será a sua casa.
No plano de remodelação entra algum jogador português?
— Por agora não. Havia dois jogadores em que estávamos muito interessados, mas desistimos porque têm contrato e respeitamos os clubes onde estão. Este é um desporto que vive, essencialmente, dos patrocinadores. Queremos ajudar ao crescimento da modalidade e por isso não podemos ir tirar jogadores às outras equipas.
Ricardinho vai sair do Inter Movistar pela porta pequena?
— Irá sair pela porta maior que houver no mundo. Ele, pessoalmente, não tenho nada contra ele, bem pelo contrário. Falando com o coração, quero dizer-lhe que estou imensamente grato por tudo o que fez. Ele seguirá o seu caminho, nós o nosso, sou seu amigo e se ele estiver de acordo e não se opuser, gostaria do continuar a sê-lo o resto das nossas vidas. A nossa intenção é a de, logo assim que a situação se normalize e isso seja possível, fazer em Madrid ao Ricardinho a despedida que merece. Será uma homenagem de nível mundial na qual esperamos que Portugal se faça representar com a máxima força, até porque, em todos estes anos que ele esteve em Espanha, nem num só momento esqueceu a sua condição de português.
Há muito que o ambiente entre Ricardinho e o Inter se começou a deteriorar. De saída para França, onde na próxima época vai representar o ACCS Paris,o internacional luso admitiu ontem a vontade em não voltar a jogar com a camisola do clube espanhol, após a paragem ditada pela pandemia do Covid-19. "Se houver play-off, dentro das condições que possa ter, obviamente estarei disposto a ajudar, mas preferia não jogar, porque depois de tudo o que aconteceu o relacionamento com o clube ficou afetado e o melhor para todos é não haver competição", disse o português, Ricardinho, 34 anos, em declarações nas redes sociais. De resto, Ricardinho tem enviado vários recados ao clube nas últimas semanas.
Entrevista de PEREIRA RAMOS correspondente de A BOLA em Espanha
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