Futuro Garantido | Leninha



Regressando à nossa crónica de Futuro Garantido, uma crónica que procura mostrar as jovens jogadoras que ainda não tenham participado na Seleção Principal e que tenham qualidade para lá chegar ou mesmo não tendo pelo menos terão para se manter a um bom nível no principal escalão de futsal feminino nos próximos anos, hoje trazemos um dos nomes que olhando para o progresso se acredita que será mesmo o próximo ou dos próximos a entrar nessa convocatória.

Falamos então de Helena Nunes, ou Leninha como é mais conhecida no mundo do futsal, a jovem fafense que desde cedo começou a brilhar nas quadras e a mostrar-se para as seleções nacionais, e que esta temporada chegou ao Benfica onde conquistou já a sua primeira competição nacional como sénior, a que soma os feitos como internacional.

Helena Isabel Leite Nunes, nascia no dia 8 de fevereiro de 2002 em pleno Hospital de Guimarães e segundo a mesma, não foi preciso muito tempo para se perceber o que lhe estaria predestinado, esta paixão por jogar à bola: “Desde que me lembro a bola sempre foi o meu brinquedo de eleição, era sempre o presente que eu pedia, fizesse anos ou fosse natal, a toda a gente e acabava por jogar em qualquer lado. Quando não tinha uma bola por perto, se encontrasse uma garrafa ou uma lata no chão isso era a bola, ou até mesmo uma pedra”.

 

» O INICIO NO FUTEBOL DO A.D. FAFE

Se Leninha é reconhecida por tudo o que aos 18 anos já fez nas quadras pelo país fora, a verdade é que foi mesmo pelo futebol que a jovem jogadora começou, na altura numa equipa onde partilhava balneário apenas com rapazes, mas algo que até aconteceu pelo que a na altura criança fazia num campo de futsal, como a própria retrata: “Quando eu era mais nova os meus pais trabalhavam num café que tinha campo de futsal onde eu passava a maior parte do meu dia. Por volta dos meus 6 anos começaram a perceber que até tinha algum jeito e, para além disso, que gostava muito. Então, falaram com o Suíço que era cliente lá no café e treinava o Fafe no meu escalão. Levaram-me até lá e foi onde fiquei desde os 6 aos 13 anos”.

Entre os 6 e os 13 anos esteve então no AD Fafe, sendo que acabou por ser inscrita na FPF apenas em 2011, fazendo ainda assim 4 temporadas por este clube em campeonatos de futebol de 7, momentos dos quais Leninha guarda muitas memórias, “tal como as pessoas, mas o que nunca me vou esquecer foi de quando cheguei ao primeiro treino e ouvi «uma menina? Nós vamos jogar com uma menina?», e nesse treino nenhum deles me passava a bola”. Um momento que Leninha nos recordou com uma gargalhada, acrescentando ainda que quando começou a jogar “não era muito comum existirem meninas a praticar futebol, então ficaram um pouco reticentes, a partir daí sempre me trataram bem e sempre me incluíram”, mas essa não foi também a única dificuldade que enfrentou no futebol por razões obvias, e que agora recorda como “o facto de muitas vezes começar os jogos a equipar-me nos chuveiros e acabar a tomar banho nos balneário dos árbitros, e como era a única menina ou ficava sozinha ou a minha mãe ia comigo”.

Apesar de tudo, Leninha afirma que “jogar com os rapazes foi um processo importante na minha evolução, eles acabam por ser mais agressivos, mais rápidos e isso acabava por exigir mais de mim”.

 

» A MUDANÇA PARA O FUTSAL DO NUN’ÁLVARES

Não foi por vontade própria que Leninha se mudou para o futsal, mas sim porque na altura não tinha outra solução, sendo que esta já tinha mesmo recusado várias abordagens para um ingresso mais precoce nesta modalidade: “Desde que estava no futebol já tinha muitos convites da Mister Trigo para jogar futsal no Nun’Álvares, mas futebol era o que eu gostava, muito mais que de futsal, gostava de jogar ao ar livre, fosse terra ou relva e adorava jogar à chuva.  Então, esta transição para o futsal surgiu quando deixei de ter idade para jogar com os rapazes e devido à falta de oportunidade de continuar no futebol, porque naquele tempo ainda eram escassas as equipas de futebol feminino. Acabei por aceitar o convite da Mister Trigo e até hoje continuo no futsal”.

Apesar duma maior resistência inicial à mudança, o Nun’Álvares acabou mesmo por se tornar num clube muito importante para esta jogadora que não esconde: “Guardo esses 5 anos com um carinho muito especial. Só quem passa pelo grupo sabe o sentimento de “família” que ali se vive, é uma segunda casa, todos me tratavam super bem, e era onde eu, às vezes, passava mais tempo que na minha própria casa”.

 Apesar de nunca ter conquistado nenhum troféu nacional, mas conseguiu estar presente mais que uma vez na Final Four da Taça Nacional de Juniores, mas para Leninha, “os momentos mais especiais foram, sem dúvida, aqueles em que conseguimos a manutenção a culminar com a presença nas 8 melhores de Portugal, visto que esse era o grande objetivo a que nos proponhamos no início da época”.

 

» AS CONVOCATÓRIAS PARA AS SELEÇÕES E A CONQUISTA DOS JOGOS OLÍMPICOS

Desde cedo que começou a dar nas vistas, e Leninha acabou mesmo por ser chamada por duas vezes para a seleção distrital da AF Braga.

A primeira nas sub-19, quando ainda só tinha 14 anos e com um interassociações ainda com vencedor que acabou mesmo por ser a AF Braga ao derrotar a AF Lisboa na final que arrecadou a taça. Mais tarde foi à seleção de Sub-17, mas na altura já sem vencedor.

Nas seleções jovens, como relatamos recentemente Leninha é mesmo a jogadora com mais internacionalizações, divididas entre as sub-17 e sub-19, com um total de 24 jogos nos quais marcou por 12 vezes, nesses que foram para a própria jogadora “anos muito especiais porque foi quando comecei a ter a oportunidade de representar Portugal por várias ocasiões”.

Ao serviço das camadas jovens da seleção nacional Leninha conquistou duas competições. A primeira foi o Torneio de Desenvolvimento da UEFA que afirma ter sido “muito especial porque ainda nos estava ‘entalado’ o torneio anterior que tínhamos deixado fugir para a Espanha praticamente no último minuto de jogo, na nossa casa. No ano depois, em Espanha, já fomos nós a festejar”.

O outro, um dos maiores feitos da FPF, os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, com uma campanha bastante esclarecedora. Leninha não esconde que esses “até agora foram o meu ponto mais alto e mais especial no futsal. Para além da fantástica experiência poder complementar com a vitória foi, sem dúvida, incrível. Fomos uma família durante um mês e se assim não fosse as coisas não tinham corrido tão bem, estávamos muito longe de casa e daquilo que era a nossa realidade, era fundamental termos uma boa ligação entre todas. Trabalhamos 3 anos para no fim conseguirmos trazer o ouro para Portugal, foi o reflexo e o culminar perfeito de tudo”.

Depois de todas essas convocatórias, esse recorde de internacionalizações jovens e essas conquistas pela seleção, falta ainda pisar dois palcos, a seleção universitária e a seleção principal, sendo estas dois objetivos não escondidos por Leninha.

Entrou este ano na universidade, e ainda com um futuro sobre o Mundial Universitário (que devia ter sido realizado em 2020) incerto, esta afirma que “a seleção universitária passa por ser um objetivo, gostava muito de viver a experiência de competir num mundial universitário e de ter mais um momento para poder representar o nosso país”, mas tal como referimos no inicio do paragrafo, acrescentou que “não podemos falar de coisas a longo prazo, estamos sempre a ser surpreendidos pela restrições da pandemia, se sempre houver sub-21 vou continuar a trabalhar para poder ser uma das escolhidas, é sempre um prazer”.

Já sobre a seleção principal, não escondeu o sonho de a representar e acredita que a mudança que realizou neste verão a poderá ajudar nisso: “Acho que quem pratica qualquer modalidade tem o sonho de chegar ao patamar mais alto, neste caso à seleção A. Para chegar à seleção principal a grande chave é o trabalho e a evolução diária de cada atleta. Agora que estou a treinar e a jogar diariamente com as melhores tenho outras condições para evoluir e para que, no futuro, possa ser uma das opções. Vou continuar a trabalhar e a dar o meu melhor para tentar atingir esse objetivo”, acrescentando ainda que “em termos internacionais, e se conseguir atingir esse patamar, um dos meus sonhos é conquistar um Europeu”

 

» A NOVA REALIDADE NO SL BENFICA

Depois de 5 anos no Nun’Álvares, Leninha mudou então de ares este ano, para reforçar o SL Benfica, algo que até podia não ter acontecido se na passada temporada tivesse aceite a mudança para o futebol feminino depois duma proposta recebida dum clube com pergaminhos mas que esta recusou para se manter nas quadras.

Entrou então num conjunto que para além de ter uma base sólida de internacionais portuguesas, tem sido hegemónico em termos internos nos últimos anos, algo que não assustou e contribuiu mesmo para esta mudança de Leninha que se mostrou ambiciosa: “Como todos sabem o Benfica, nos últimos anos, tem ganho todas as competições nacionais em que participa. Assim, para além de querer evoluir cada vez mais, espero dar continuidade a todos os troféus que o Benfica tem vindo a conquistar”.

Ainda assim não deixou de sair pela primeira vez das suas origens, e depois de vários anos a jogar com o mesmo grupo no Nun’Álvares encontrou um conjunto diferente, algo que origina como é obvio uma necessidade de se adaptar, mas que segundo Helena tem sido fácil: “Estou a entrar numa realidade completamente oposta àquela que estava habituada, uma cidade maior, a entrada na faculdade, uma nova equipa e novas rotinas, mas não tem sido difícil. Fui muito bem recebida, todos ajudaram para que a minha adaptação fosse fácil e rápida”. Leninha falou ainda na exigência que encontra no Benfica, afirmando que esta “é muito superior. O Benfica tem vindo a conquistar tudo e isso não é por acaso. Estou no sítio certo para crescer, tanto como pessoa como jogadora, para dar continuidade ao meu processo de evolução, estou com as melhores e só tenho que aproveitar a oportunidade para aprender com elas. Quando as coisas são mais exigentes é quando nós mais crescemos e evoluímos”.

Já esta temporada pelo Benfica, conquistou o seu primeiro troféu em Portugal, com a Taça de Portugal da temporada 2019/20, curiosamente uma taça onde como jogadora do Nun’Álvares tinha sido eliminada por este mesmo Benfica, mas que com a mudança de clube acabou por conquistar no final de 2020. Uma conquista que descreve como: “um sentimento incrível visto que foi o meu primeiro título a nível nacional e era um sonho que sempre tive. Poder jogar e festejar ao lado das melhores jogadoras do nosso país ainda tornou tudo mais emotivo. Foi o primeiro título pelo Benfica e espero que seja apenas o início de um futuro risonho porque quem joga no Benfica joga sempre para ganhar”.

 

» O NÚMERO 14, AS REFERÊNCIAS E AS PESSOAS MAIS IMPORTANTES NO PERCURSO

Para terminarmos então esta crónica trazemos três temas mais pessoais da jogadora, mas todos relacionados com a modalidades.

Começamos pelo número. Quem segue esta jogadora sabe que o número 14 é uma constante desde que está no futsal feminino de elite, mas acaba por não ter qualquer valor simbólico para Leninha que até tinha outro número como preferência: “O número 14 surgiu até sem eu mesma querer. Quando jogavas com os rapazes era o 17, sempre foi o meu número de eleição desde que comecei a jogar. Quando entrei para o GNA o 17 já estava ocupado, para escolher ou tinha números muito grandes ou tinha o 14, e foi por isso que optei por ele. Depois, nessa mesma época, tive a minha primeira internacionalização e fui o 14 também e a partir daí fiquei sempre com esse número que agora, sem dúvida, é o meu número de eleição”.

Mas não é só pelo número das costas que conseguimos reconhecer uma jogadora, como também por aquilo que faz com a bola nos pés que acaba por ser o mais importante, e para isso todas têm as suas referencias sendo que Leninha destacou duas pessoas: “Como já tive a oportunidade de responder antes, sempre gostei muito de ver a Taninha jogar, já desde os seus tempos no Sporting. É uma jogadora com um estilo de jogo com o qual me identifico bastante. E agora, que tenho a sorte de jogar com a Inês, se já adorava vê-la jogar, agora que treino e jogo com ela sou ainda mais fã, é mesmo muito inteligente e percebe o futsal como poucos”.

Para além das referências há depois aquelas pessoas que ao longo do seu percurso a marcaram pela positiva, e quando questionada sobre quem são essas pessoas a jovem promessa portuguesa começou por falar na família, dizendo: “Sem dúvida que os grandes culpados do meu crescimento são os meus pais e o meu irmão, são o meu grande suporte, a minha maior motivação e também os meus maiores críticos. São as únicas pessoas que estão comigo em todos os momentos e os que levam por tabela quando as coisas não correm tão bem. Nunca me faltou apoio da parte deles e é, sem dúvida, o apoio mais importante e fundamental”.

Ainda assim, acabou depois por destacar também três pessoas mais ligadas ao meio, tendo convivido com todas elas no Nun’Álvares: “Não posso me posso esquecer da Mister Trigo que me conhece desde os meus primeiros toques na bola e que me meteu neste mundo do futsal e sempre acreditou em mim, e o Gerhard (conhecido como “patrão”) que foi essencial durante os meus anos no grupo. E por último, mas não menos importante, o Mister Rui que desde os meus 14 anos acreditou e apostou em mim no campeonato nacional”.

 

Antes de finalizar esta crónica deixamos também uma pequena surpresa/homenagem para Leninha, com algumas palavras de Taninha, Inês Fernandes, Manuela Trigo, Gerhard Seidler e Rui Pedro Cunha, tudo pessoas que esta destacou como referências ou pessoas importantes para a sua vida como futsalista, terminando depois disso então esta crónica recordando em vídeo alguns dos melhores lances que Leninha protagonizou na ainda curta carreira.

 


A Leninha foi uma agradável surpresa, o ano passado, quando defrontámos o Nun'Alvares para a Taça de Portugal... Jovem, com qualidade técnica acima da média, irreverente e competitiva, parecia um bom reforço para este projeto.

Após alguns meses de treino, reconheço-lhe outras características pessoais, bem mais importantes, que a tornarão uma atleta e uma pessoa ímpar... Vontade de compreender, determinação em aprender, humildade e alegria contagiantes!

Desejo-lhe a maior sorte do mundo porque sei que ela já tem potencial para o resto... Beijinho grande Malú.

 


Falar da Leninha é sempre falar do futuro do Futsal Português. Já tive oportunidade de jogar contra, e sobressai a sua qualidade em campo.

Espero que a chegada ao Benfica lhe possa proporcionar um crescimento ainda maior, que aproveite a oportunidades de jogar entre as melhores e de retirar o máximo dessa experiência.

Desejo-lhe as maiores felicidades desportivas e tenho a certeza que iremos continuar a ouvir muita coisa dela

 


A primeira vez que vi a Leninha foi no polidesportivo dos Restauradores da Granja, ela devia ter cerca de 3 anos e andava de chuteiras e com uma bola maior do que ela debaixo do braço.

Uns anos mais tarde tive a honra e o privilégio de ser treinadora dela, primeiro no Desporto Escolar e depois no Grupo Nun’Álvares.

Jogava ao mesmo tempo Futebol na A.D. Fafe e Futsal no Desporto Escolar, arranjava sempre maneira de ir aos treinos e aos jogos de Desporto Escolar. Chegou a aparecer me num jogo de DE depois de ter feito um jogo de Futebol.

Depois deixou o Futebol e foi para o Futsal no Grupo Nun’Álvares e continuou a jogar no Desporto Escolar. No Futsal Federado, começou por ser chamada para seleção da A.F. Braga e logo logo estava a representar a Seleção Nacional. Mesmo depois de ser Jogadora de Seleção, nunca deixou de participar no desporto Escolar. No Desporto Escolar conseguimos ser várias vezes campeãs distritais e regionais e atingimos o auge logo no primeiro ano que houve campeonato nacional.

No Grupo Nun’Álvares conseguimos ser campeãs distritais várias vezes tanto em Juvenis como Juniores e estivemos presentes várias vezes na Final 4 com a equipa de Juniores. Quando foi viável começou logo a representar as Seniores do Clube, ela sempre esteve a jogar em escalões acima do dela.

Dá-me uma grande alegria ver as jogadoras que já foram minhas crescerem e tornarem-se jogadoras de topo. A Leninha é uma jogadora fantástica, não perco um jogo dela, ela continua a crescer mais no Futsal, e é um grande orgulho vê-la a representar o melhor Clube de Portugal e a nossa Seleção.

 

 

A Leninha desde muito cedo mostrou ter talento, raça, gosto por jogar à bola e detesta perder!

Teve a sorte de ser de uma geração numa fase onde os clubes começaram a apostar na formação no feminino e a FPF investiu nas seleções jovens.

Todas as conquistas foram fruto de trabalho e dedicação!

Agora com a mudança para a melhor equipa nacional tem possibilidade de evoluir e chegar ao topo.

 


É uma atleta que trabalhou integralmente com a equipa sénior desde que era iniciada, assim que subiu ao escalão de juvenil e regularmente estava autorizada a jogar na equipa principal, fez a sua estreia logo a titular ainda com 15 anos de idade e na primeira época foi a melhor marcadora da equipa.

É uma jogadora diferenciada, muito forte no 1x1 com remate forte e fácil e sem medo de assumir o risco. Além do seu talento inato é uma apaixonada pelo desporto, gosta do jogo e do treino e cria bom ambiente no balneário.

Sorte do treinador que pode contar com ela, é uma jogadora de presente e futuro.

 

Fique então com o vídeo com alguns momentos da Leninha:



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