Braga acertou nos postes, Eléctrico acertou no coração do jogo e venceu por 2-3
O Eléctrico FC surpreendeu o SC Braga e carimbou a passagem à segunda fase da Taça da Liga Placard, vencendo por 3-2 num jogo dramático, intenso e decidido apenas nos segundos finais, num pavilhão que viveu o ambiente típico das eliminatórias diretas. A formação de Joel Rocha pagou caro a expulsão de Leandro no início da segunda parte e a falta de eficácia, 5 bolas nos ferros, enquanto o conjunto de Ponte de Sor mostrou personalidade, frieza e maturidade competitiva para resistir a longos períodos de pressão.
A partida começou equilibrada, com muito rigor defensivo e poucas oportunidades. O primeiro grande aviso surgiu aos 4 minutos, quando Mazzeto recuperou alto e rematou forte de pé esquerdo ao poste, no primeiro momento verdadeiramente perigoso da noite. O Eléctrico respondeu com transições rápidas e, aos 7 minutos, Renato Almeida conduziu com perigo, mas acabou por ser egoísta e perdeu o momento certo da finalização.
O jogo ganhou vida aos 11 minutos, num lance de enorme qualidade coletiva. Simi Saiotti recebeu, soltou para Telmo Sousa, que de calcanhar ofereceu o golo a Henrique Vicente, autor de um remate cruzado e forte para o 0-1. O Braga reagiu através de remates de Hugo Neves, mas esbarrou invariavelmente em Diogo Basílio, que começou aqui uma exibição de grande nível.
Aos 14 minutos, os minhotos voltaram a acertar no ferro: Vilian, na cobrança de um livre direto descaído, atirou ao poste esquerdo. A insistência acabaria por resultar já perto do intervalo. Aos 18 minutos, na sequência de um canto cobrado por Rafael Henmi, Hugo Neves apareceu a rematar de primeira, num gesto técnico potente e colocado, fazendo o 1-1. O empate ajustava-se ao volume ofensivo do Braga. Até ao descanso, ainda houve tempo para Leandro negar o golo a Alê Teixeira, garantindo igualdade.
A segunda parte mal tinha começado quando surgiu o momento que mudaria todo o rumo da eliminatória. Aos 21 minutos, numa bola longa nas costas da defesa, Leandro saiu da área, tentou jogar a bola e derrubou Thiago da Silva, vendo cartão vermelho direto. O Braga ficou em inferioridade numérica e entrou João Cunha para a baliza.
No livre resultante, Alê Teixeira colocou a bola na zona central e Henrique Vicente, frio e oportuno, voltou a marcar, fazendo o 1-2 e bisando na partida. O Braga, contudo, reagiu de imediato. No minuto seguinte, Rafael Henmi apareceu para a recarga a um remate de Vitão, e restabeleceu o empate, fazendo o 2-2, devolvendo esperança à Amco Arena.
Seguiu-se uma fase de forte domínio minhoto, com o Eléctrico encostado atrás e Basílio constantemente testado. Vilian, de meia distância, obrigou o guarda-redes alentejano a nova defesa decisiva, e logo depois Vitão acertou duas vezes no poste, numa das sequências mais impressionantes do jogo. O conjunto de Ponte de Sor respondeu pontualmente, mas encontrou em João Cunha um substituto seguro para Leandro.
O jogo encaminhava-se para grandes penalidades quando surgiu o golpe final. Aos 40 minutos, Thiago da Silva colocou a bola na profundidade, Vitão falhou o corte e Telmo Sousa, com enorme frieza, rematou entre as pernas de João Cunha e assinou o 2-3, silenciando o pavilhão a 18.8 segundos do fim. O Braga ainda lançou Tiago Brito como guarda-redes avançado, mas já não conseguiu evitar a eliminação.
Foi uma vitória de enorme caráter do Eléctrico FC, que soube sofrer quando foi preciso e foi eficaz nos momentos decisivos. O SC Braga, apesar do volume ofensivo e das várias bolas nos ferros, pagou caro os erros individuais e a expulsão de Leandro na fase inicial da segunda parte. A figura do encontro foi Diogo Basílio, protagonista de múltiplas defesas determinantes e responsável direto por manter a sua equipa viva até ao momento do golpe final de Telmo Sousa.
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