Oito postes, sofrimento e explosão final: Rio Ave carimba passagem à Final Eight diante do Arsenal da Maia
O Rio Ave FC carimbou este sábado a presença na Final Eight da Taça da Liga Placard ao vencer o Arsenal Clube da Maia por 1-5, num encontro absolutamente vibrante, disputado no Pavilhão Municipal do Formigueiro, e que ficou marcado por oito bolas nos postes — seis do Rio Ave e duas do Arsenal da Maia. Frente ao líder da Série A da 2.ª Divisão, a equipa vila-condense exibiu maturidade e explosão ofensiva na reta final, garantindo um triunfo tão suado quanto justo.
O jogo começou com intensidade máxima. Logo aos dois minutos, João Mendes acertou no poste, e na recarga voltou a rematar ao lado, criando o primeiro grande susto para a baliza de Nuno Costa. O Rio Ave respondeu de imediato, com Rúben Góis em destaque: primeiro numa combinação perigosa com Serginho, depois num remate cruzado ao poste, e mais tarde numa arrancada da esquerda para o meio que terminou… na barra. Era já uma sequência impressionante de ocasiões e ferros, prenúncio do que viria a ser o jogo.
O marcador abriu aos 10 minutos, e para a equipa da casa. Um canto de Daniel Castro encontrou um desvio involuntário de Pedro Rodrigues, isolando Fábio Norinho, que bateu Diogo Teixeira com enorme frieza, fazendo o 1-0. O Rio Ave respondeu com personalidade, pressionou alto e, aos 12’, recuperou a igualdade: um mau passe do guarda-redes maiato permitiu a recuperação de Zezinho, que combinou rapidamente com Serginho para marcar o 1-1, aproveitando a baliza deserta.
O festival dos postes continuou. Peixinho acertou mais uma vez no ferro, enquanto o Arsenal teve a oportunidade de voltar para a frente após a 6.ª falta vila-condense, mas Nuno Costa brilhou ao defender o livre de 10 metros de Renato Silva, vendo a bola ainda bater no poste — a segunda bola ao ferro para os maiatos. A primeira parte terminou com o Rio Ave a criar mais perigo (e mais postes), mas com o marcador empatado.
A segunda parte arrancou com o mesmo ritmo frenético. O Rio Ave continuava a somar remates, com Gustavo Rodrigues, Peixinho e João Mendes a obrigarem Diogo Teixeira a intervenções de qualidade. Aos 33 minutos, surgiu finalmente o momento que o jogo pedia. Gustavo recuperou a bola, serviu Francisco Silva, e o pivot assinou um golo de enorme categoria, rodando sobre o adversário e rematando de primeira para o 1-2, num gesto técnico digno de destaque.
O Arsenal tentou reagir lançando o guarda-redes avançado, mas o Rio Ave revelou uma superioridade clara na gestão do jogo e nas transições. Aos 38 minutos, uma jogada de laboratório vila-condense terminou com a finalização certeira de Rúben Góis, após combinação com Serginho e Cigano, fazendo o 1-3. Apenas quarenta segundos depois, Góis voltou a faturar — desta vez num gesto técnico sublime — completando o bis e ampliando para 1-4, confirmando o excelente momento de forma que lhe valeu a convocatória de Jorge Braz para o Europeu.
O golpe final surgiu já perto do apito final, quando Serginho recuperou a bola na sua área e rematou para a baliza deserta.
Com este triunfo, o Rio Ave FC qualifica-se para a Final Eight da Taça da Liga, sustentado numa exibição de força, resiliência e explosão final. O Arsenal da Maia, primeiro classificado da sua série na 2.ª Divisão, caiu de pé, num jogo em que só não marcou mais… porque os postes (duas vezes) e Nuno Costa não permitiram.
O encontro fica na memória não só pelo resultado, mas também pela estatística rara: oito bolas nos postes numa eliminatória, reflexo de um jogo vibrante e sempre imprevisível.
foto - sgil_sports