Hungria reage, cresce e impõe-se num jogo de nervos frente à Polónia
Há jogos que se decidem no detalhe. Outros na emoção. Este decidiu-se na capacidade de sofrer, ajustar e matar no momento certo. A Hungria entrou a perder, tremeu quando o jogo parecia fugir-lhe das mãos, mas respondeu com personalidade e eficácia para vencer a Polónia por 4-2, arrancando o Europeu com três pontos de enorme valor no Grupo D.
O início foi tenso, carregado de respeito mútuo e com as duas equipas mais preocupadas em não errar do que em arriscar. A Hungria tentou assumir iniciativa através da circulação paciente, enquanto a Polónia respondeu com agressividade defensiva e saídas rápidas para o ataque. O jogo estava fechado, mas fervilhava por dentro.
A primeira faísca surgiu aos 6’25’’. Depois de vários cantos consecutivos, a Hungria encontrou finalmente espaço: Rábl resistiu dentro da área, protegeu a bola sob pressão e soltou para Fekete, que apareceu solto para finalizar e fazer o 1-0. Um golo de insistência, mais do que de inspiração.
A Polónia não acusou o golpe. Pelo contrário, cresceu emocionalmente e começou a empurrar o jogo para o meio-campo húngaro. Aos 10’15’’, num lance estudado, Kriezel bateu o canto rasteiro e Pawlus, com apenas 19 anos, apareceu para empatar e fazer história como o mais jovem marcador de sempre numa fase final do EURO. O jogo estava novamente em aberto.
O momento psicológico chegou pouco depois. Aos 13’48’’, Zastawnik arriscou de longe, a bola desviou em Kajtár e traiu Alasztics. Reviravolta no marcador: 1-2. A Hungria sentiu o impacto, a Polónia acreditou — e por instantes pareceu controlar o jogo.
Mas o futsal não perdoa desconcentrações prolongadas.
Na segunda parte, a Hungria regressou com outra leitura do jogo: mais agressiva na pressão, mais vertical na posse e claramente determinada a não deixar escapar o encontro. Aos 27’41’’, Pál apareceu na zona certa para restabelecer a igualdade, devolvendo o jogo ao ponto zero.
A partir daí, o jogo entrou num território emocional onde quem errasse perderia. A Polónia tentou gerir, a Hungria sentiu o momento — e avançou.
Nos minutos finais, surgiu o nome que decidiu tudo. Suscsák.
Aos 34’50’’, aproveitou um momento de desorganização defensiva para fazer o 3-2. Pouco depois, já com a Polónia exposta e a arriscar tudo, voltou a aparecer aos 37’19’’, sentenciando o jogo com o 4-2 final. Dois golos, frieza absoluta e leitura perfeita do caos.
A Hungria venceu porque soube esperar, porque não se perdeu quando esteve em desvantagem e porque teve quem resolvesse quando o jogo pediu coragem.
Figura do Jogo — SUSSCSÁK (Hungria)
Entrou no momento certo e saiu como decisivo. Dois golos nos minutos finais, presença constante entre linhas e uma serenidade que contrastou com o nervosismo geral do encontro. Quando o jogo ficou pesado, Suscsák tornou-o simples. E isso, em futsal de alto nível, é arte pura.