Croácia mais adulta decidiu cedo e com critério
A Croácia confirmou o favoritismo e garantiu presença nas meias-finais com uma vitória clara sobre a Arménia, num jogo que ficou definido na eficácia dos momentos iniciais e na capacidade croata para controlar espaço, tempo e risco ao longo dos 40 minutos.
O arranque foi intenso e repartido, com ambas as equipas a procurarem acelerar após recuperação. A Arménia mostrou desde cedo que não vinha apenas para resistir, arriscando remates exteriores e tentando surpreender na transição ofensiva, mas encontrou uma Croácia equilibrada defensivamente e segura na baliza, com Piplica a responder sempre que solicitado. Esse equilíbrio inicial foi quebrado logo aos 2’42’’, no primeiro momento-chave do jogo: Mataja apareceu em zona interior após circulação curta, recebeu em vantagem e finalizou com critério, aproveitando uma defesa arménia ligeiramente atrasada na basculação. A Croácia ganhou vantagem cedo e, com ela, ganhou controlo emocional.
Pouco depois, aos 6’04’’, surgiu o segundo momento-chave, aquele que praticamente definiu o encontro. Vukmir aproveitou um espaço entre linhas, conduziu com tempo e armou um remate forte e colocado, sem hipóteses para o guarda-redes. Dois golos em pouco mais de seis minutos obrigaram a Arménia a expor-se mais cedo do que pretendia e colocaram o jogo no território que mais favorece a Croácia: gestão com bola e controlo sem pressa.
Até ao intervalo, a Arménia tentou reagir com maior agressividade ofensiva, procurando remates rápidos e alguma mobilidade interior, mas faltou clareza na decisão final. A Croácia, por sua vez, baixou o ritmo, passou a temporizar melhor cada posse e foi confortável a defender em organização, raramente permitindo situações de finalização limpa.
Na segunda parte, o cenário manteve-se. A Arménia teve mais iniciativa, mas esbarrou quase sempre numa Croácia compacta, disciplinada e paciente, que escolheu bem quando acelerar e quando simplesmente fazer o jogo respirar. O terceiro e último momento-chave surgiu aos 15’48’’, novamente por Mataja, numa jogada que espelhou a diferença entre as equipas: circulação simples, leitura do espaço livre e finalização eficaz perante uma defesa já desgastada pelo esforço constante de correr atrás do resultado.
A partir daí, o jogo entrou numa fase de controlo total por parte da Croácia. Sem necessidade de forçar, a equipa geriu o resultado com maturidade, protegeu a sua baliza e nunca deixou a Arménia acreditar verdadeiramente numa reentrada no jogo. Foi uma vitória construída mais pela clareza das decisões do que pela exuberância, mas absolutamente justa.
A Croácia segue assim para as meias-finais com uma exibição sólida, pragmática e coerente com a exigência da fase a eliminar, enquanto a Arménia se despede na sua primeira presença na fase final com uma imagem competitiva, mas penalizada pela falta de eficácia nos momentos decisivos.
Nas meias-finais, a Croácia irá defrontar o vencedor do duelo entre Espanha e Itália, consciente de que o nível de exigência sobe e de que jogos como este já não se resolvem apenas com controlo — exigem também capacidade para decidir sob pressão máxima.
Figura do jogo: David Mataja.
Dois golos, presença constante nos momentos de decisão e uma leitura exemplar do espaço interior. Mais do que marcar, ajudou a tornar o jogo simples quando era preciso simplicidade, sendo determinante na forma como a Croácia resolveu cedo um jogo que podia ter sido bem mais complexo.
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