Argentina esperou pelo momento certo e está na final



A Argentina tornou-se a primeira finalista da CONMEBOL Copa América Futsal 2026 ao vencer a Venezuela por 2–0, num jogo de altíssima intensidade, decidido não pelo domínio contínuo, mas pela clareza nos momentos de rutura. Durante largos minutos, o encontro teve contornos de final antecipada; nos últimos cinco, a Albiceleste foi mais lúcida.

Desde o apito inicial que as duas seleções jogaram como quem sabe o que está em causa. Transições rápidas, marcações agressivas e pouco espaço para pensar definiram uma primeira parte sem golos, mas longe de ser pobre. A Venezuela mostrou-se extremamente competitiva, confortável a defender em organização e perigosa sempre que recuperava. O primeiro grande aviso surgiu ainda antes do intervalo, quando Carreño ficou a centímetros de marcar, num lance que expôs a baliza argentina e obrigou Acosta a máxima atenção. A Argentina respondeu com maior controlo da posse, mas sem conseguir criar superioridade clara na zona de finalização.

O cenário manteve-se durante grande parte da segunda parte. Jogo intenso, equilibrado, emocionalmente exigente e com ambas as equipas a evitar o erro antes de procurar o risco. A Venezuela manteve-se fiel ao seu plano, enquanto a Argentina foi acumulando paciência, à espera do momento certo para acelerar.

Esse momento chegou já dentro dos últimos quatro minutos, no primeiro grande momento-chave do jogo. Após recuperação defensiva, Arrieta puxou o contra-ataque, tabelou com Claudino e, ao receber de volta, conduziu para dentro e finalizou de pé esquerdo, colocado, sem hipóteses para o guarda-redes. Um golo que sintetizou a identidade argentina: decisão rápida, execução limpa e frieza absoluta sob pressão.

Em desvantagem, a Venezuela partiu para o tudo ou nada, subindo linhas e assumindo riscos, enquanto a Argentina passou a gerir com inteligência, protegendo o corredor central e escolhendo cuidadosamente quando sair para a transição. O jogo manteve-se vivo até ao último segundo, mas o desfecho ficou selado no segundo momento-chave, já no lance final. Com a Venezuela completamente projetada no ataque, Lucas Granda aproveitou o espaço livre e marcou o segundo golo, fechando o resultado e retirando qualquer dúvida quanto ao finalista.

A Argentina não venceu porque foi sempre superior. Venceu porque soube sofrer, esperar e decidir quando o jogo pediu decisão, confirmando a maturidade competitiva de uma equipa que vai agora disputar a sua quarta final do torneio, depois dos títulos conquistados em 2003, 2015 e 2022.

No domingo, a Albiceleste entrará em campo em busca do quarto título continental, enquanto a Venezuela terá ainda a oportunidade de lutar pelo terceiro lugar, depois de uma campanha marcada pela organização, intensidade e competitividade até ao fim.

Figura do jogo: Kevin Arrieta

Porque desbloqueou um jogo fechado no momento mais exigente, assumindo a transição decisiva quando o erro podia ser fatal. O seu golo mudou o jogo e abriu caminho para a final, sendo o melhor exemplo de lucidez, coragem e eficácia sob máxima pressão.


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