Brasil foi mais eficaz nos momentos de decisão e volta a discutir o título
O Brasil confirmou o seu estatuto de potência maior do futsal sul-americano e garantiu presença na final da CONMEBOL Copa América Futsal 2026, ao vencer o Peru por 4–2 numa meia-final em que a diferença esteve menos no volume de jogo e mais na capacidade de decidir quando o jogo abriu.
O encontro começou equilibrado, com o Peru organizado, agressivo na contenção e a tentar retirar espaço interior à circulação brasileira. Durante largos minutos, o Brasil teve bola, mas encontrou dificuldades para transformar posse em vantagem clara. O primeiro momento-chave surgiu aos 15 minutos, quando Arthur, após uma circulação paciente, recebeu em condições para armar um remate forte de pé esquerdo, inaugurando o marcador e quebrando a resistência peruana.
O golo libertou a Canarinha e, apenas dois minutos depois, surgiu novo golpe. Pito apareceu em zona de finalização e colocou a bola com critério, ampliando para 2–0 e dando ao Brasil uma vantagem construída em eficácia e leitura do momento, não em domínio absoluto.
Na segunda parte, o Brasil entrou a gerir melhor os tempos do jogo e chegou ao terceiro golo num lance que voltou a premiar a presença nos momentos certos. Lucão aproveitou o ressalto após nova finalização de Pito e fez o 3–0, num terceiro momento-chave que parecia encaminhar definitivamente a eliminatória.
O Peru, contudo, não se desorganizou emocionalmente e respondeu de imediato. Tavera assinou um remate potente de meia distância, reduzindo para 3–1 e devolvendo alguma incerteza ao encontro. O jogo ganhou intensidade e risco, com o Peru a subir linhas e o Brasil a procurar explorar os espaços deixados nas costas.
Já dentro dos últimos quatro minutos, surgiu o momento que voltou a matar o jogo. Arthur, novamente decisivo, apareceu para fazer o 4–1, confirmando a sua influência nos instantes em que o jogo exigiu definição. Ainda houve tempo para Obando reduzir para 4–2, mas já sem margem real para alterar o desfecho.
O Brasil fechou o encontro com maturidade, sem necessidade de baixar em demasia o bloco, controlando o espaço e evitando transições perigosas. Não foi uma exibição de brilho constante, mas foi uma demonstração clara de eficácia, experiência e leitura competitiva, atributos que explicam porque volta a discutir o título.
Com esta vitória, o Brasil avança para a final onde irá reencontrar a Argentina, repetindo a decisão de 2024, agora com a ambição de conquistar o 12.º título continental. O Peru, por sua vez, terá ainda a oportunidade de fechar a campanha com uma medalha, disputando o terceiro lugar frente à Venezuela.
Figura do jogo: Arthur
Dois golos, ambos em momentos decisivos, e influência direta na forma como o Brasil desbloqueou e voltou a fechar o jogo. Foi decisivo quando o jogo pediu decisão, juntando qualidade técnica, leitura do espaço e eficácia no momento certo.