Entre o controlo e o sofrimento, a Espanha encontrou a final
A Espanha garantiu a presença na final do UEFA Futsal EURO ao vencer a Croácia por 2-1, esta quinta-feira, na Arena Stožice, em Ljubljana, num encontro das meias-finais que parecia resolvido ao intervalo, mas que acabou por se transformar num teste extremo à maturidade e à capacidade de sofrimento da formação orientada por Jesús Velasco.
Num pavilhão maioritariamente pintado de xadrez croata, a seleção balcânica entrou determinada e apoiada por 6.456 espectadores, procurando impor desde cedo um jogo físico e apoiado no trabalho de pivô. Logo nos primeiros minutos, a Croácia dispôs de um livre em zona perigosa, sinal claro da ambição com que abordou a partida. Ainda assim, a Espanha respondeu com serenidade, controlando o ritmo através da posse e da circulação rápida, sem se deixar condicionar pelo ambiente hostil.
Com o decorrer dos minutos, a Espanha foi assumindo o comando das operações, pressionando alto e acumulando situações de remate. A Croácia, porém, manteve-se organizada e perigosa nas transições, obrigando Dídac Plana a algumas intervenções atentas. O equilíbrio acabou por ser quebrado aos 12’57’’, num lance de elevada qualidade individual: Pablo Ramírez ganhou nas costas da defesa croata, recebeu com classe e finalizou com frieza por entre as pernas de Piplica, inaugurando o marcador (0-1).
O golo deu maior tranquilidade à seleção espanhola, que passou a controlar o jogo com mais critério, beneficiando também do facto de a Croácia ter atingido cedo o limite das cinco faltas. Apesar disso, a equipa de Marinko Mavrović teve uma oportunidade soberana para empatar aos 17’45’’, após recuperação alta e passe para o segundo poste, com Mataja em posição privilegiada. Contudo, quando o empate parecia inevitável, Cecilio Morales realizou um corte absolutamente decisivo em cima da linha, negando o golo croata num dos momentos-chave de toda a meia-final.
Pouco depois, a Espanha foi letal. Aos 18’42’’, numa jogada coletiva exemplar, Francisco Cortés assistiu e Mellado, com um remate rasteiro de pé esquerdo, ampliou a vantagem para 0-2, resultado que premiava a eficácia espanhola e castigava a falta de concretização croata. O intervalo chegou com a Espanha em posição confortável, sustentada também pelos números: 30 remates contra 13 na primeira parte.
Na segunda metade, a Croácia regressou com maior agressividade e tentou encostar a Espanha à sua área. Piplica respondeu com segurança, mas a Espanha voltou a mostrar maturidade competitiva, travando o ímpeto inicial e ficando mesmo perto do terceiro golo. A equipa croata voltou a sofrer com a questão disciplinar, atingindo novamente o limite de faltas e vendo Perić ser admoestado aos 30’20’’, o que condicionou ainda mais a abordagem defensiva.
Com o tempo a escassear, a Croácia passou a arriscar tudo. A pressão aumentou, os remates sucederam-se e a Espanha começou a sentir o desgaste. O jogo ganhou outro ritmo e outra emoção aos 36’29’’, quando Kristian Čekol cruzou da direita e a bola sofreu um desvio em Mario Rivillos, traindo Plana e reduzindo para 1-2. O golo incendiou por completo a Arena Stožice e relançou a meia-final.
Empurrada pelo público, a Croácia esteve a escassos centímetros de levar o jogo para prolongamento. Aos 37’20’’, Antonio Sekulić acertou com estrondo na barra, num remate que gelou a seleção espanhola e deixou no ar a sensação de que o empate podia surgir a qualquer momento. Nos minutos finais, a Croácia apostou no 5x4 com guarda-redes avançado, cercando a área adversária e obrigando a Espanha a defender com tudo.
A resposta espanhola foi de resistência e sacrifício coletivo. Cortes, interceções e gestão emocional permitiram segurar a vantagem mínima, apesar da enorme pressão croata. Já perto do apito final, o jogo manteve-se tenso, com Antonio Pérez a ver o cartão amarelo aos 39’37’’, num reflexo claro da intensidade dos instantes derradeiros. O apito final confirmou a vitória espanhola e o apuramento para a décima final da sua história na competição.
A Espanha aguarda agora o vencedor do duelo entre Portugal e França, enquanto a Croácia disputará o encontro de atribuição da medalha de bronze.
Foi um triunfo de enorme maturidade da Espanha, que aliou eficácia na primeira parte a uma notável capacidade de sofrimento nos minutos finais, quando a Croácia encostou o jogo ao limite. Já a Croácia, apesar da reação tardia e de um final de enorme coragem, acabou por pagar caro a falta de eficácia nos momentos-chave e a incapacidade de materializar o domínio emocional da reta final.
Figura da partida: Cecilio Morales (Espanha)
O ala espanhol foi decisivo no desfecho da meia-final ao protagonizar um corte em cima da linha aos 17’45’’, quando o empate croata parecia inevitável. Um lance de enorme leitura defensiva que manteve a Espanha em vantagem e acabou por marcar, de forma silenciosa mas decisiva, o caminho até à final.