Terceira Final consecutiva de Portugal, venha a Espanha
Portugal confirmou o encontro com a Espanha na final do UEFA Futsal EURO ao vencer a França por 4-1, esta quinta-feira, na Arena Stožice, em Ljubljana, numa meia-final que voltou a evidenciar a capacidade competitiva e emocional da equipa orientada por Jorge Braz. Tal como já acontecera nos quartos-de-final, os campeões em título estiveram em desvantagem, mas responderam com autoridade, eficácia nas bolas paradas e um controlo absoluto dos momentos-chave do encontro.
A França entrou sem complexos e aproveitou um arranque mais nervoso de Portugal para surpreender. Apesar do maior volume ofensivo português nos minutos iniciais, foram os gauleses a inaugurar o marcador aos 5’55’’, quando Mamadou Touré avançou pela esquerda e rematou de forma colocada, com a bola ainda a tocar em Bernardo Paçó antes de entrar (1-0). O golo premiou um início aguerrido da formação de Raphaël Reynaud, que apostava nas transições rápidas e no jogo físico do seu pivô.
O tento sofrido gerou algum nervosismo momentâneo em Portugal, e a França esteve muito perto de ampliar a vantagem. Aos 12’31’’, M. Touré acertou no poste, após uma sequência em que Bernardo Paçó voltou a brilhar com defesas decisivas. Esse lance acabou por ser um ponto de viragem no encontro. A partir daí, Portugal estabilizou, aumentou a pressão ofensiva e começou a encontrar soluções, sobretudo nas bolas paradas.
A cambalhota no marcador começou a desenhar-se nos cantos batidos por Pany Varela, decisivos no final da primeira parte. Aos 17’36’’, na sequência de um canto curto, Tomás Paçó optou pela assistência e serviu Diogo Santos, que finalizou com classe junto ao poste para o 1-1. O empate trouxe confiança imediata e, menos de dois minutos depois, nova bola parada voltou a fazer a diferença: aos 18’43’’, Pany Varela colocou novamente em Tomás Paçó, que desta vez rematou de primeira e consumou a reviravolta para 1-2, já à entrada do intervalo.
O descanso chegou num momento psicológico claramente favorável a Portugal, que tinha transformado frustração em eficácia num curto espaço de tempo, deixando a França abalada após um fim de primeira parte em que perdeu controlo emocional e posicional.
Na segunda metade, Portugal entrou mais solto e confiante, controlando melhor o ritmo e explorando o desgaste francês, agravado pela rotação curta. A França ainda tentou reagir, mas voltou a esbarrar na segurança de Bernardo Paçó, decisivo em várias situações de um-para-um. O golpe praticamente definitivo surgiu aos 28’13’’: recuperação de bola, toque de calcanhar cheio de classe de Tomás Paçó e finalização eficaz de Erick, fixando o 1-3 e deixando a seleção gaulesa numa tarefa quase impossível.
A França passou então a arriscar tudo, apostando no guarda-redes avançado, mas Portugal revelou enorme maturidade na gestão dos minutos finais. Aos 34’07’’, num lance de infelicidade para os franceses, Bernardo Paçó arriscou o remate de longe, a bola embateu no poste e acabou por desviar em Gueddoura, entrando na baliza para o 1-4. O autogolo selou definitivamente o destino da meia-final.
Até ao apito final, Portugal manteve o controlo, mesmo com a França ainda a acertar novamente no ferro aos 38’53’’, num remate de Gueddoura que simbolizou bem uma noite de esforço, mas também de alguma falta de eficácia nos momentos decisivos.
Com este triunfo, Portugal garante a presença em mais uma final e vai defrontar a Espanha, numa reedição do clássico ibérico que decidirá o título no sábado, novamente em Ljubljana, oito anos depois da memorável final de 2018.
Foi uma vitória de enorme maturidade e qualidade coletiva de Portugal, que soube reagir à adversidade inicial e voltou a demonstrar porque é o campeão em título, aliando eficácia nas bolas paradas, controlo emocional e profundidade do plantel. A França, apesar de um arranque muito positivo e de ter criado oportunidades para ampliar a vantagem na primeira parte, acabou por pagar caro a falta de concretização e a incapacidade de travar a reação portuguesa nos momentos decisivos.
Figura da partida: Tomás Paçó (Portugal)
O fixo português assinou uma exibição de alto nível, sendo determinante na reviravolta ainda antes do intervalo. Fez duas assistências e marcou um golo, comandou o jogo nos momentos críticos e voltou a provar a sua importância na identidade competitiva da seleção nacional. Foi justamente eleito Melhor em Campo pelo painel de observadores técnicos da UEFA.
foto - UEFA.com