Jorge Braz: “Esta confiança cega uns nos outros é aquilo que nos define como equipa”



No final da meia-final que colocou Portugal na final do UEFA Futsal EURO 2026, Jorge Braz fez talvez uma das leituras mais completas e identitárias de todo o torneio. Um discurso emotivo, mas sobretudo profundamente coerente com o caminho construído pela Seleção Nacional ao longo da competição.

O selecionador começou por explicar que aquilo que hoje se vê em campo não nasceu no jogo, nem sequer nesta fase final. Nasceu no primeiro dia. Na forma como o grupo se juntou, incluindo até quem não esteve presente. Para Jorge Braz, desde o momento da chegada ficou claro que existia um sentimento coletivo raro, partilhado, quase transversal. Um sentimento que fez com que os 14 jogadores convocados soubessem exatamente o que era necessário fazer e, mais importante ainda, como se complementar uns aos outros.

Essa complementaridade, explicou, manifesta-se sobretudo nos momentos de erro. Quando alguém falha, não há dedos apontados nem retração. Há apoio imediato. Há auxílio. Há uma reação coletiva que impede qualquer jogador de cair emocionalmente. Para o selecionador, isso é ser equipa. Isso é o sentimento que tantas vezes refere como “família”. Uma família que não deixa ninguém para trás, que coloca os outros à frente de si próprio quando é preciso, e que encontra aí a sua maior força.

Jorge Braz fez questão de sublinhar que esse espírito não se limita aos jogadores. Estende-se à equipa técnica, ao staff e a todos os que trabalham diariamente com a Seleção. É uma forma de funcionamento global, onde cada um conhece o seu papel e respeita o papel do outro. E isso, confessou, é algo que o deixa genuinamente feliz enquanto líder.

No plano do jogo, o selecionador revelou que esta confiança absoluta no grupo influenciou diretamente a sua postura durante a partida. Sentiu, desde cedo, que aquele era um dia em que a sua função principal não passava por intervir em excesso, mas sim por não estorvar. Por deixar os jogadores serem quem são. Por acalmar apenas quando a vontade era tanta que ameaçava transformar-se em precipitação. Por chamar a atenção para pequenas janelas estratégicas que iam surgindo, sem nunca retirar autenticidade ao jogo da equipa.

Segundo explicou, aquilo que Portugal apresentou em campo foi exatamente isso: uma forma simples, honesta e genuína de jogar, que reflete o prazer que os jogadores têm em estar juntos, em competir juntos e em assumir responsabilidades uns pelos outros. Para Jorge Braz, todo o trabalho só ganha verdadeiro significado quando chega ao jogo, porque é no jogo que tudo se expõe, tudo se testa e tudo se confirma.

O selecionador abordou também o facto de Portugal ter voltado a sofrer o primeiro golo, algo que já tinha acontecido noutras partidas desta fase final. Longe de ver isso como um problema, explicou que faz parte do jogo e do mérito dos adversários. O essencial, para si, é que esse momento nunca desvie a equipa do seu percurso, do seu processo ou das tarefas bem definidas de cada jogador.

Para Jorge Braz, sofrer um golo não pode significar perder identidade. Pelo contrário. É precisamente nesses momentos que a equipa tem de continuar a exibir-se, a fazer aquilo que sabe fazer bem e a confiar no tempo que ainda há para jogar. Sublinhou que tem à sua disposição jogadores de topo mundial em todas as posições, todos diferentes entre si, mas altamente complementares. Essa diversidade é o que permite que, mesmo em momentos adversos, a equipa não se desorganize emocionalmente nem taticamente.

O técnico revelou ainda que, mesmo quando sentia que a equipa estava a errar em alguns momentos, nunca perdeu a confiança. Pelo contrário. Sentia uma vontade enorme de alterar o rumo do jogo, uma energia coletiva tão grande que exigia apenas um ajuste: pedir calma. Não menos ambição, mas mais clareza. A mensagem foi simples: continuar a acreditar daquela forma, porque as coisas acabariam por cair para o lado de Portugal. E, segundo afirmou, acabaram por cair de forma clara, justa e inequívoca, sem nunca deixar de reconhecer o mérito da França.

Já projetando a final, Jorge Braz fez questão de deixar um discurso de enorme respeito pela Espanha. Falou de admiração profunda por uma das seleções mais organizadas do mundo, pela forma como compete e gere os momentos do jogo. Recordou o caminho conjunto feito ao longo de muitos anos, a colaboração, o respeito mútuo e as relações pessoais que existem para lá da rivalidade competitiva. Para o selecionador, reconhecer a grandeza do outro é também um sinal de crescimento próprio.

Ainda assim, a mensagem final manteve-se totalmente alinhada com tudo o que disse antes. Com todo o respeito pela Espanha, a preparação da final passará por olhar para Portugal. Recuperar, descansar e voltar a fazer a mesma pergunta de sempre: o que temos de fazer nós? E a resposta, garantiu, é clara. Ser Portugal. Jogar com esta confiança, com esta admiração interna, com a certeza de que algo foi feito corretamente para chegar até aqui.

Para Jorge Braz, a final será jogada exatamente no registo onde esta equipa gosta de andar. E deixou claro que não tem qualquer dúvida de que Portugal estará preparado para esse momento.


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