Indonésia faz história, elimina o Japão no prolongamento e chega pela primeira vez à final
A AFC Futsal Asian Cup Indonesia 2026 conheceu esta quinta-feira um dos momentos mais marcantes da sua história. A Indonésia apurou-se, pela primeira vez, para a final da competição ao vencer o Japão por 5-3 após prolongamento, num jogo épico decidido nos detalhes, na resiliência emocional e na coragem competitiva.
Num pavilhão completamente lotado, o Japão entrou com a autoridade de quem é quatro vezes campeão asiático, criando perigo logo nos primeiros minutos. Shoto Yamanaka obrigou Ahmad Habiebie a uma defesa apertada e Ryoto Kai apareceu pouco depois em boa posição, mas a finalização saiu desenquadrada. A Indonésia respondeu com personalidade, testando Hiroshi Tabuchi por intermédio de Yogi Saputra e Samuel Eko, mostrando desde cedo que não iria baixar linhas nem abdicar da iniciativa.
O jogo viveu numa alternância constante de momentos, com poucas oportunidades claras, mas elevada intensidade competitiva. Kokoro Harada acertou no poste e voltou a criar perigo instantes depois, enquanto a Indonésia procurava soluções sobretudo através do remate exterior e da insistência na segunda bola.
O momento de rutura surgiu aos 11 minutos, quando Samuel Eko aproveitou uma bola solta na área, rodou rapidamente e finalizou de fora do semicírculo, com a bola a passar entre as pernas de Tabuchi e a levantar o pavilhão. O Japão reagiu com maturidade, voltou a acertar no ferro e obrigou Ahmad a uma sequência de intervenções decisivas, mantendo o jogo vivo até ao intervalo.
Na segunda parte, a Indonésia voltou a entrar determinada. Mochammad Iqbal esteve perto do golo após passe de Israr Megantara, mas Tabuchi respondeu. Do outro lado, Ahmad manteve-se atento, até que, aos 23 minutos, um lance de pressão indonésia resultou num autogolo de Motoishi, ampliando a vantagem dos anfitriões.
O Japão não desistiu. Yusei Arai voltou a acertar no poste e, aos 31 minutos, Motoishi redimiu-se parcialmente ao reduzir a desvantagem, beneficiando de um erro de abordagem de Ahmad. A pressão japonesa intensificou-se e encontrou recompensa aos 35 minutos, quando Kazuya Shimizu disparou um remate potente de ângulo difícil para o empate.
O final do tempo regulamentar foi absolutamente dramático. Firman Adriansyah ainda fez o 4-3 para a Indonésia, mas, nos segundos finais, um penálti por mão de Iqbal permitiu a Shimizu voltar a empatar, levando o encontro para prolongamento e gelando o ambiente no pavilhão.
No tempo extra, a Indonésia revelou aquilo que a trouxe até aqui: capacidade mental, leitura do erro adversário e eficácia no momento certo. Reza Gunawan colocou a equipa em vantagem no último minuto da primeira parte do prolongamento, aproveitando um passe falhado de Arai, e já na segunda parte, Rizki Amanda selou o resultado, novamente após erro japonês, confirmando um triunfo histórico.
Com esta vitória, a Indonésia garante a primeira presença de sempre numa final da Taça Asiática de Futsal, onde vai defrontar o Irão no sábado. Para o Japão, fica a eliminação amarga, depois de uma recuperação notável, mas insuficiente para travar uma equipa anfitriã que jogou com alma, coragem e uma crença coletiva inabalável.
Uma noite histórica para o futsal indonésio — e um lembrete claro de que, nas grandes fases finais, o jogo decide-se tanto na cabeça como nos pés.