Fundão garante a manutenção e mantém vivo o sonho do play-off
No Pavilhão do Fundão, a AD Fundão venceu o Eléctrico por 3-1, garantiu matematicamente a manutenção e entrou na última jornada ainda a alimentar aspirações de alcançar o play-off, numa noite de enorme carga competitiva e emocional.
Havia peso classificativo, urgência e nervos no ambiente, e o jogo viveu tudo isso. Frente a frente estavam duas equipas separadas por apenas dois pontos, ambas a lutar simultaneamente pela permanência e por um lugar entre os oito primeiros. E nesse contexto de pressão máxima, foi a AD Fundão quem mostrou mais sangue-frio, mais capacidade de sofrimento e maior maturidade nos momentos decisivos.
A partida começou intensa, partida, agressiva, com o Eléctrico a entrar com mais bola e o Fundão a responder com pressão alta, procurando condicionar desde cedo a primeira fase de construção dos visitantes. O equilíbrio marcou os minutos iniciais, mas o jogo já revelava tensão competitiva e uma sucessão de lances perigosos junto das duas balizas.
Jaime Arthur foi cedo chamado a intervir, travando remates de Gonçalo Paixão, Henrique Vicente e Alê Teixeira, enquanto Diogo Basílio também respondia a investidas de Jaime Arthur e Tiago Tavares. O jogo estava vivo, repartido e aberto.
Mas aos 10 minutos, surgiu o lance que alterou o rumo da primeira parte. Sob pressão de Pedro Marques, Simi Saiotti tentou atrasar para a sua baliza sem olhar e colocou a bola na própria rede. Autogolo e 1-0 para o Fundão. Um erro raro, pesado, e num momento em que o Eléctrico até parecia ligeiramente mais confortável no jogo.
O golo não quebrou os alentejanos, que continuaram a procurar reagir. Simi Saiotti ainda atirou ao poste aos 19 minutos, Lucas Mestre ameaçou de livre direto e Henrique Vicente obrigou Jaime a boas intervenções. Mas o Fundão, empurrado por uma pressão agressiva e por um Mário Freitas muito influente, foi segurando a vantagem até ao intervalo.
O 1-0 ao descanso deixava tudo em aberto, mas premiava a capacidade competitiva dos beirões em transformar pressão em vantagem.
A segunda parte elevou ainda mais a carga emocional do encontro. O Eléctrico entrou com mais bola e maior iniciativa, mas o Fundão cresceu na pressão e voltou a equilibrar rapidamente o jogo. Mário Freitas, capitão e motor da equipa, assumia-se cada vez mais como figura central.
O momento-chave da partida surgiria aos 27 minutos.
Num lance que mudou definitivamente o enquadramento do encontro, Thiaguinho viu o segundo amarelo e consequente cartão vermelho, deixando o Eléctrico reduzido a quatro unidades durante dois minutos. E o Fundão aproveitou.
Pressionou, cercou e acabaria por chegar ao 2-0 aos 29 minutos, num lance infeliz para os visitantes: remate cruzado de Mário Freitas, desvio em Telmo Sousa, bola nas costas de Basílio e novo autogolo, desta vez creditado ao guarda-redes do Eléctrico.
O pavilhão explodiu. E sentiu-se que o jogo pendia fortemente para os da casa.
O Eléctrico tentou reagir, mas acusou o golpe. O Fundão manteve a pressão alta, continuou a criar perigo por Lucas Schwartz, Sissi e Caio Pedro, enquanto Basílio ainda evitava males maiores com intervenções decisivas.
Perante a urgência, o Eléctrico arriscou tudo e lançou-se no 5x4 aos 36 minutos, com Henrique Vicente como guarda-redes avançado. A pressão aumentou, surgiram remates perigosos de Renato Almeida, Telmo Sousa e Simi Saiotti, mas Jaime Arthur segurou tudo o que havia para segurar.
E depois veio o golpe final.
Aos 39 minutos, Mário Freitas viu a baliza deserta e, da sua zona defensiva, fez o 3-0, num golo de inteligência e frieza que parecia sentenciar tudo.
Ainda houve tempo para o Eléctrico reduzir, já a 12 segundos do fim, com Simi Saiotti a fazer o 3-1 após assistência de Telmo Sousa, e até para Telmo Sousa atirar ao poste nos instantes finais, mas o jogo já pertencia ao Fundão.
O apito final confirmou muito mais do que uma vitória.
Foi um triunfo de enorme peso competitivo e emocional para a AD Fundão, que garantiu matematicamente a manutenção e chega à última jornada ainda a alimentar legítimas aspirações de alcançar o play-off. A equipa de Nuno Couto venceu porque soube sofrer, pressionou melhor nos momentos-chave e foi mais forte mentalmente quando o jogo exigiu decisões.
Já o Eléctrico acabou por pagar caro erros individuais decisivos — incluindo um autogolo e uma expulsão num momento crítico — além de alguma falta de eficácia em momentos em que teve oportunidades para reentrar no jogo. Mantém-se vivo na luta, mas saiu claramente fragilizado deste duelo direto.
A figura da partida foi Mário Freitas, capitão, líder e decisivo. Comandou a equipa, esteve ligado ao segundo golo e marcou o terceiro, que fechou praticamente o encontro. Numa noite em que o Fundão jogava pela sobrevivência, foi o capitão quem mostrou o caminho. E, com ele, a permanência tornou-se realidade — e o sonho do play-off continua vivo.
Foto - ADFundão