“Tão grandes como os maiores da Europa”: Sporting volta a ser Rei da Europa
O Sporting Clube de Portugal voltou a sentar-se no trono europeu. Na Arena de Pesaro, perante 5816 espectadores, os leões venceram o Illes Balears Palma por 2-0 e conquistaram a UEFA Futsal Champions League, travando a caminhada do conjunto espanhol rumo ao quarto título consecutivo. Num duelo de enorme intensidade, qualidade e nervo competitivo, a equipa de Nuno Dias foi mais eficaz, mais madura nos momentos-chave e contou com uma exibição monumental de Bernardo Paçó para voltar a erguer o troféu mais importante do futsal europeu.
A final começou com um Sporting pressionante, agressivo e muito confortável na forma como queria assumir o jogo. Logo no primeiro minuto, Bernardo Paçó subiu no terreno e obrigou Dennis Cavalcanti à primeira intervenção da noite. Pouco depois, o guarda-redes leonino voltou a ser protagonista ao recuperar a bola ainda perto do meio-campo e lançar Merlim, mas Dennis respondeu novamente com segurança.
Os primeiros minutos ficaram marcados por muitos duelos físicos, pressão intensa e pouca liberdade para pensar. Ainda assim, o Sporting parecia sempre mais próximo de criar perigo. Pauleta apareceu na profundidade aos dois minutos e rematou às malhas laterais, enquanto o Palma procurava explorar transições rápidas, sobretudo através de Charuto e Fabinho.
Aos três minutos surgiu um dos momentos decisivos da final. O Palma saiu em contra-ataque, Charuto obrigou Bernardo Paçó a uma grande defesa e, na recarga, Machado ainda tentou marcar com a mão, lance imediatamente interrompido pela arbitragem. Na resposta, o Sporting foi letal. Bernardo lançou rapidamente pela direita, Diogo Santos recebeu e, já na área, rematou rasteiro de pé esquerdo. A bola passou entre as pernas de Dennis e entrou para o 1-0 leonino.
O golo não alterou a postura da equipa portuguesa. O Sporting continuou intenso, pressionante e muito confortável na circulação. Diogo Santos esteve perto do bis logo a seguir, enquanto Wesley e Rocha construíram uma excelente saída em transição aos seis minutos, com Dennis a evitar novamente o golo.
O Palma começou gradualmente a equilibrar a partida, sobretudo através das bolas paradas e da qualidade individual de Fabinho e Deivão. Aos 11 minutos, Fabinho obrigou Bernardo Paçó a uma defesa difícil na sequência de um livre direto, antes de Deivão voltar a encontrar o guarda-redes leonino pela frente. Pouco depois, o Palma pediu vermelho para Diogo Santos após recurso ao vídeo-support, mas a equipa de arbitragem manteve apenas o cartão amarelo.
Mesmo com o Palma a crescer no jogo, o Sporting continuava perigosíssimo. Wesley encontrou Felipe Valério ao segundo poste, Merlim disparou várias vezes para grandes intervenções de Dennis e Zicky teve talvez a melhor oportunidade da primeira parte aos 12 minutos, aparecendo de carrinho na área após canto de Merlim, mas encontrando uma defesa monstruosa do guarda-redes brasileiro do Palma.
O duelo entre Bernardo Paçó e Dennis Cavalcanti transformou-se rapidamente num dos grandes temas da final. De um lado, Bernardo segurava tudo o que aparecia. Do outro, Dennis mantinha o Palma vivo na discussão do resultado. Pauleta, Zicky, Merlim, Chishkala e Tomás Paçó tentaram ampliar a vantagem leonina, mas o guardião espanhol foi adiando o segundo golo.
Aos 18 minutos, a final sofreu novo momento crítico. Diogo Santos chegou atrasado a um lance defensivo, viu o segundo amarelo e foi expulso. O Sporting ficou reduzido a quatro jogadores durante dois minutos, precisamente numa fase decisiva antes do intervalo. O Palma carregou, assumiu o controlo total da posse e esteve perto do empate a 29 segundos do descanso, mas Bernardo Paçó respondeu com uma defesa absolutamente extraordinária a remate de David Peña.
O intervalo chegou com vantagem mínima para o Sporting, mas com a sensação clara de que a final estava completamente aberta.
Na segunda parte, o Palma entrou mais dominador territorialmente. Deivão obrigou Bernardo a nova defesa difícil aos 23 minutos e Charuto também ficou perto do empate na recarga. Ainda assim, o Sporting nunca perdeu organização defensiva e continuou perigosíssimo sempre que conseguia sair da pressão espanhola.
Wesley protagonizou uma jogada fantástica aos 25 minutos, mas Dennis voltou a negar o golo, enquanto Felipe Valério e Zicky continuavam a criar enormes dificuldades à defensiva do Palma. Aos 26 minutos, Zicky esteve muito perto do 2-0 com um toque de calcanhar brilhante, mas a bola bateu no poste.
O Palma procurava aumentar o risco e subir linhas, mas começava a deixar espaços cada vez maiores nas transições. Charuto ainda tentou surpreender Bernardo Paçó com um chapéu aos 30 minutos, mas o internacional português respondeu com mais uma defesa decisiva.
A reta final tornou-se emocionalmente sufocante. O Sporting defendia com enorme inteligência, controlava melhor os momentos do jogo e parecia sempre mais confortável perante a pressão. Aos 34 minutos, Fabinho rodou sobre Merlim na zona de pivô e disparou forte, mas Bernardo voltou a aparecer com uma defesa colossal com o pé direito.
Aos 36 minutos, Vadillo lançou finalmente o 5x4 com Alisson a vestir a camisola de guarda-redes avançado. E foi precisamente aí que nasceu o golpe final da partida. Chishkala recuperou a bola ainda no seu meio-campo, rematou imediatamente para a baliza deserta e fez o 2-0, levando os adeptos leoninos ao delírio em Pesaro.
O Palma ainda tentou reagir até ao último segundo, manteve o 5x4 e carregou emocionalmente sobre a defensiva verde e branca, mas o Sporting mostrou maturidade competitiva, capacidade de sofrimento e enorme solidariedade coletiva para segurar a vantagem.
Nos instantes finais, Chishkala ainda acertou na barra depois de recuperar a bola no meio-campo, numa imagem perfeita do domínio emocional leonino nos momentos decisivos.
O apito final confirmou o regresso do Sporting ao topo da Europa. Depois de travar o campeão em título e de sobreviver a uma final de enorme exigência física e mental, os leões conquistaram mais uma UEFA Futsal Champions League e escreveram mais uma página dourada na história do futsal português.
Figura da partida: Felipe Valério. O internacional brasileiro voltou a realizar uma exibição de enorme nível, sendo uma das principais figuras do Sporting ao longo de toda a final. Intensidade nos duelos, qualidade técnica, critério com bola e uma influência constante no jogo ofensivo leonino fizeram de Felipe Valério uma peça absolutamente decisiva no triunfo europeu da equipa de Nuno Dias.
Figura da Final Four: Felipe Valério. O ala brasileiro foi uma das grandes caras desta conquista europeia do Sporting em Pesaro. Marcou na meia-final diante do Jimbee Cartagena num momento crucial da recuperação leonina e voltou a assumir protagonismo na final frente ao Palma, sendo determinante pela capacidade competitiva, liderança e qualidade apresentada nos dois encontros.