Ferreira do Zêzere resiste, sofre e vence Braga nos penáltis



O Ferreira do Zêzere entrou a vencer nos quartos de final do play-off da Liga Placard, ao bater o SC Braga nas grandes penalidades, depois de um empate 3-3 no final do prolongamento, num jogo carregado de emoção, alternâncias no marcador, decisões de arbitragem revistas em vídeo e uma exibição monumental de Pedro Martinho.

A partida começou com o SC Braga mais perigoso e a obrigar o guarda-redes da casa a entrar cedo em ação. Logo aos quatro minutos, Pedro Martinho negou o golo a Vitão, antes de voltar a brilhar perante remates de Mamadú Turé e Luís Fernandes. A equipa de Joel Rocha entrou forte, pressionante, com mais chegada à baliza adversária e com capacidade para instalar o jogo no meio-campo ofensivo.

O Ferreira do Zêzere procurava responder em transição e através de ataques mais rápidos, mas foi o Braga quem somou as melhores oportunidades no primeiro quarto de hora. Vitão voltou a ameaçar aos nove minutos, Dudu também arriscou de meia distância e Mamadú Turé apareceu várias vezes como uma das principais referências ofensivas dos bracarenses.

Ainda assim, quem marcou primeiro foi a equipa da casa. Aos 15 minutos, Francisco Oliveira pressionou alto, recuperou a bola em zona adiantada e serviu Octávio Alves, que apareceu solto na cara de Dudu e finalizou para o 1-0. O golo castigou a falta de eficácia bracarense e premiou a agressividade do Ferreira no momento da pressão.

Até ao intervalo, o Braga continuou a procurar o empate, mas voltou a encontrar Pedro Martinho em noite inspirada, com nova defesa a remate potente de Mamadú Turé. O Ferreira ainda saiu em contra-ataque por Jó Mahrez, mas sem perigo suficiente para alterar o marcador.

O intervalo chegou com 1-0 para o Ferreira do Zêzere, vantagem curta, mas sustentada sobretudo pela eficácia ofensiva e pela segurança do seu guarda-redes.

Na segunda parte, o SC Braga voltou a entrar decidido a alterar o rumo do jogo. Vitão esteve muito perto do empate aos 23 minutos, e logo depois surgiu o 1-1. Aos 24 minutos, Tiago Sousa combinou com Bebé pela direita e finalizou com qualidade para restabelecer a igualdade. Era o prémio para a insistência minhota.

O Braga podia mesmo ter virado logo a seguir, mas Pedro Martinho voltou a sair rápido dos postes para travar Mamadú Turé, mantendo o Ferreira vivo no jogo. A partida ganhava intensidade, duelos e uma carga emocional cada vez maior.

Aos 28 minutos, surgiu novo momento decisivo. Tiago Brito, capitão do SC Braga, foi expulso, deixando a equipa bracarense em inferioridade numérica por dois minutos. O Ferreira aproveitou praticamente de imediato. Jó Mahrez cobrou o livre, encontrou Kaká, e este, com calma dentro da área, colocou a bola no fundo das redes para o 2-1.

A vantagem voltou a pertencer à equipa da casa, mas o Braga não se desfez emocionalmente. Pelo contrário, reagiu com personalidade. Depois de mais duas defesas de grande nível de Pedro Martinho, surgiu o empate. Aos 32 minutos, Barreto recebeu de Ricardo Lopes e, de primeira, soltou um remate violentíssimo para o 2-2, aplicando a lei do ex e relançando completamente o encontro.

A partir daí, o jogo ficou ainda mais partido. O Ferreira voltou a ameaçar por Francisco Oliveira e Rodrigo Monteiro, que ficou a centímetros do golo, enquanto o Braga procurava explorar a sua rotação e a qualidade dos seus momentos ofensivos. O resultado, porém, não se alterou até ao final dos 40 minutos, levando o jogo para prolongamento.

No tempo extra, o Braga entrou melhor. Aos 42 minutos, uma boa triangulação entre Luís Fernandes, Tiago Sousa e Mamadú terminou com nova defesa de Pedro Martinho, e pouco depois Dudu subiu no terreno e acertou no poste da baliza ferreirense.

O Ferreira respondeu por Daniel Sodré, que protagonizou uma excelente jogada individual aos 44 minutos, mas o remate saiu ligeiramente ao lado. A emoção estava longe de terminar.

Na segunda parte do prolongamento, a equipa da casa voltou a colocar-se na frente. Aos 46 minutos, Francisco Oliveira e Rafael Silva combinaram na reposição lateral, Chico encontrou Jó Mahrez à entrada da área e o ala rematou rasteiro para o 3-2.

O Braga teve pouco depois uma oportunidade soberana para empatar. Aos 47 minutos, após revisão em vídeo, foi assinalada grande penalidade por falta de Pedro Martinho sobre Luís Fernandes. Chamado a bater, Vilian acertou na barra, desperdiçando um momento que podia ter mudado a eliminatória.

Joel Rocha lançou então o 5x4, com Mamadú Turé como guarda-redes avançado, procurando o empate até ao limite. O Braga ainda pediu revisão por possível mão de Daniel Sodré na área, mas a equipa de arbitragem mandou seguir.

Quando parecia que o Ferreira iria segurar a vantagem, o Braga encontrou novo fôlego. A 2 segundos do fim do prolongamento, após canto de Bebé, Barreto rematou cruzado e Willian Carioca apareceu ao segundo poste para encostar e fazer o 3-3. O jogo seguia para grandes penalidades.

Na decisão final, os nervos voltaram a tomar conta da partida. Barreto marcou a primeira para o Braga e Rui Fortes respondeu para o Ferreira. Mamadú atirou ao poste, Jó Mahrez permitiu defesa de Dudu, Ricardo Lopes acertou na barra, e Tomás Colaço colocou o Ferreira em vantagem. Depois, Bebé e Willian Carioca mantiveram o Braga vivo, Francisco Oliveira marcou perante Leandro, e Daniel Sodré assumiu o último remate com frieza, batendo Leandro e fechando o triunfo do Ferreira por 7-6 após grandes penalidades.

Foi uma vitória sofrida, intensa e de enorme valor competitivo para o Ferreira do Zêzere, que se coloca em vantagem na eliminatória e ganha margem emocional antes do segundo jogo. A equipa de Cristiano Coelho soube sofrer, resistiu a longos períodos de superioridade ofensiva do Braga e encontrou eficácia nos momentos decisivos, tanto durante o jogo como na marca dos penáltis.

Já o SC Braga sai com a sensação clara de que podia ter vencido. Criou muito, obrigou Pedro Martinho a uma exibição enorme, reagiu sempre às desvantagens e teve uma grande penalidade no prolongamento para empatar mais cedo, mas acabou por pagar caro os falhanços nos momentos decisivos e a menor frieza nas grandes penalidades.

A figura da partida foi Pedro Martinho, absolutamente determinante com várias defesas de enorme nível ao longo dos 50 minutos. Mesmo batido em três ocasiões, segurou o Ferreira nos momentos de maior pressão bracarense e foi peça essencial para a equipa da casa chegar viva à decisão final.


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