Ana Catarina trava tudo e Benfica conquista vitória crucial
O SL Benfica venceu o GCR Nun’Álvares por 1-4 no segundo jogo da final da Liga Feminina Placard e restabeleceu a igualdade na série (1-1), numa partida marcada pela enorme exibição de Ana Catarina, pela eficácia encarnada nos momentos decisivos e por um final atribulado que obrigou mesmo à interrupção do encontro durante vários minutos.
A jogar perante o seu público, o Nun’Álvares entrou melhor e assumiu as primeiras iniciativas ofensivas. Logo nos instantes iniciais, Camila Silva, Lídia Moreira, Jana e sobretudo Dinha colocaram à prova a guarda-redes benfiquista. Porém, pela frente encontraram uma inspiradíssima Ana Catarina, que começou desde cedo a construir uma exibição de enorme nível.
O Benfica respondeu gradualmente. Maria Pereira obrigou Júlia Melz a uma boa defesa aos cinco minutos e, pouco depois, Janice Silva e Fifó estiveram perto de inaugurar o marcador. O encontro era equilibrado, intenso e disputado a alta velocidade.
A resistência fafense acabaria por cair aos 15 minutos. Na sequência de um lançamento lateral apontado por Sara Ferreira, Joana Moreira, na tentativa de corte, desviou a bola para a própria baliza, traindo Júlia Melz e oferecendo o 0-1 ao Benfica.
O golo abalou momentaneamente o Nun’Álvares e as encarnadas aproveitaram o momento. Aos 17 minutos, numa excelente combinação ofensiva, Maria Pereira descobriu Ana Oliveira ao segundo poste e a internacional portuguesa, com enorme qualidade técnica, picou a bola sobre Júlia Melz, ampliando para 0-2.
Até ao intervalo, o Nun’Álvares continuou a criar perigo através de Dinha, Jana e Camila Silva, mas Ana Catarina manteve-se intransponível, permitindo ao Benfica recolher aos balneários com uma vantagem confortável.
A segunda parte trouxe um Nun’Álvares mais agressivo e pressionante. Lídia Moreira, Camila Silva e Ana Pires aproximaram-se do golo em várias ocasiões, mas novamente a guardiã encarnada respondeu com intervenções de enorme categoria.
Aos 28 minutos, surgiu uma oportunidade de ouro para a equipa da casa. Após recurso ao vídeo-suporte, foi assinalada grande penalidade por mão de Sara Ferreira. Kaká assumiu a responsabilidade e converteu com um remate colocado ao ângulo, reduzindo para 1-2 e relançando totalmente o encontro.
O Nun’Álvares acreditou e continuou a pressionar, mas voltou a esbarrar numa muralha chamada Ana Catarina. A internacional portuguesa negou sucessivamente o empate e manteve o Benfica na frente.
Quando a equipa da casa procurava o 2-2, o Benfica foi letal. Aos 34 minutos, Fifó conduziu o contra-ataque e serviu Inês Matos, que apareceu ao segundo poste para finalizar e aumentar para 1-3.
Pouco depois surgiu o momento mais polémico da partida. Aos 36 minutos, após novo pedido de vídeo-suporte do Nun’Álvares, foi assinalada grande penalidade por mão de Angélica Alves, lance que valeu igualmente a expulsão da jogadora encarnada. Seguiu-se uma enorme confusão junto das bancadas, com troca de palavras, protestos, interrupção prolongada do encontro e necessidade de intervenção das autoridades. O jogo esteve parado cerca de quinze minutos.
Quando a partida foi retomada, Kaká teve nos pés a oportunidade de recolocar o Nun’Álvares a um golo de distância, mas Ana Catarina defendeu a grande penalidade, protagonizando uma das intervenções mais importantes de toda a final.
Esse momento acabou por ser decisivo. O Nun’Álvares arriscou tudo no 5x4, mas voltou a encontrar uma defesa benfiquista muito sólida. Já aos 39 minutos, uma recuperação alta permitiu a Fifó atirar para a baliza deserta e estabelecer o 1-4.
Ainda houve tempo para um golo de Janice Silva, também para baliza vazia, mas após análise foi detetada uma falta de Fifó no início da recuperação da bola e o lance acabou anulado.
O apito final confirmou uma vitória justa do Benfica, que respondeu da melhor forma à derrota sofrida no primeiro encontro e empatou a série da final.
A figura da partida foi Ana Catarina. A guarda-redes internacional portuguesa realizou uma exibição extraordinária, acumulando defesas decisivas ao longo dos quarenta minutos e culminando com a defesa da grande penalidade de Kaká num momento absolutamente crucial da partida. Sem ela, dificilmente o Benfica teria saído de Fafe com a vitória.
O Benfica venceu porque foi mais eficaz nas oportunidades que criou e porque teve em Ana Catarina um fator diferenciador. Já o Nun’Álvares produziu volume ofensivo suficiente para discutir outro resultado, mas encontrou pela frente uma guarda-redes inspiradíssima e acabou penalizado pela falta de eficácia nos momentos-chave.
Com este resultado, a final fica empatada 1-1, seguindo agora para o Jogo 3, no Pavilhão Fidelidade, com tudo novamente em aberto na luta pelo título nacional.
Foto - Fpf.pt