Ukhta sagra-se bicampeão da Rússia com final perfeita; Guitta despede-se em grande
Equipa da República de Komi conquista o segundo título consecutivo da Superliga ao vencer todos os jogos da final. Guarda-redes brasileiro Guitta, ex-Sporting CP, soma mais uma conquista antes de deixar a Rússia
O Ukhta confirmou o seu estatuto de potência emergente do futsal mundial ao conquistar o bi-campeonato da Superliga Russa de Futsal. A equipa da República de Komi levantou o segundo título consecutivo do principal escalão do futsal russo, ao vencer a final do play-off sem ceder qualquer ponto: três jogos, três vitórias numa decisão à melhor de cinco partidas, num desfecho que mostra um clube em maturidade competitiva total e que reforça o seu peso no panorama internacional.
A conquista deste novo título nacional confirma a entrada definitiva do Ukhta na elite do futsal europeu. Depois de ter quebrado, na época 2024/25, uma supremacia que pertencia historicamente aos pesos pesados nacionais.
O emblema fundado em 2008 mostrou agora maturidade, frieza e capacidade de gestão num momento decisivo, fechando a série de forma autoritária e impondo a sua qualidade do princípio ao fim. Foi o segundo título consecutivo do clube, e, como tudo indica, mais um marco no crescimento de uma estrutura desportiva que se assume já como referência absoluta do futsal russo.
Ao serviço do projeto vencedor está um nome bem familiar dos adeptos portugueses do futsal: Guitta. O guarda-redes brasileiro, antiga referência do Sporting CP, continua a ser uma peça fundamental do plantel russo. Eleito Melhor Guarda-Redes da Superliga Russa na temporada anterior, Thiago Mendes Rocha — o verdadeiro nome — soma agora dois títulos consecutivos na Rússia e mais um capítulo dourado num percurso que se confirma como um dos mais bem-sucedidos da posição na última década.
A história de Guitta na Europa começou em 2018, ao chegar ao Sporting CP vindo do Corinthians. Durante cinco temporadas ao serviço dos leões, somou 176 jogos com a camisola verde e branca e contribuiu para a conquista de três Campeonatos Nacionais e duas UEFA Futsal Champions League, integrando uma das eras mais bem-sucedidas do futsal leonino. Pelo Sporting CP marcou ainda 24 golos, fruto da sua capacidade de subir no ataque em momentos decisivos — um traço que faz dele um caso particular entre os melhores guarda-redes do mundo.
Em 2023, depois de cinco épocas em Alvalade, Guitta optou por uma nova aventura e assinou pelo Ukhta. Apesar das mudanças no panorama do futsal russo, o brasileiro encontrou no clube de Komi um projeto ambicioso e tornou-se rapidamente numa peça essencial. Em duas épocas, conquistou dois títulos nacionais, ergueu-se como referência absoluta na sua posição e ajudou a construir a identidade vencedora desta nova era do Ukhta.
A conquista deste segundo título acontece num momento muito particular para o internacional brasileiro. Recentemente, Guitta confirmou que vai deixar a Rússia no final desta época, citando motivos familiares para a decisão. A despedida do Ukhta dá-se assim com a melhor das prendas possíveis: o bi-campeonato. Missão cumprida, sonho realizado — como ele próprio fez questão de assinalar em momentos anteriores das suas conquistas — é uma frase que, mais uma vez, parece encaixar perfeitamente neste capítulo.
Para o Ukhta, fica a confirmação de que o título de 2024/25 não foi obra do acaso. Para o Guitta, mais uma página dourada num percurso que continua a ser referência mundial.
A história, claro, ainda está por escrever. Mas em Ukhta, fechou-se com chave de ouro.