Gonçalo Mendonça: “O maior sucesso da formação não é ganhar cedo, mas continuar a aprender”
A discussão sobre os objetivos da formação desportiva voltou a ganhar destaque através de um artigo de opinião assinado por Gonçalo Mendonça, coordenador do futsal de formação do CR Leões de Porto Salvo, publicado na edição de sábado do jornal A Bola.
Sob o título “Não é falta de ambição nem excesso de proteção. É formação”, o dirigente defende que existe uma tendência crescente para confundir desenvolvimento com rendimento imediato, alertando para os riscos de colocar os resultados acima do processo de aprendizagem dos jovens atletas.
Segundo Gonçalo Mendonça, muitos treinadores e agentes desportivos continuam a interpretar a valorização da aprendizagem como uma forma de proteger excessivamente os atletas ou até como um sinal de falta de ambição. No entanto, sustenta que a verdadeira questão deve ser outra: será que sacrificar oportunidades de aprendizagem para ganhar mais cedo é realmente ambição?
O responsável dos Leões de Porto Salvo argumenta que colocar o desenvolvimento acima dos resultados não significa retirar importância à competição. As vitórias continuam a ser desejadas, as derrotas continuam a provocar frustração e a exigência mantém-se presente. A diferença está no peso atribuído a cada uma dessas experiências dentro do processo formativo.
No artigo, Gonçalo Mendonça destaca ainda o papel fundamental do erro na aprendizagem. Para o coordenador, existe uma ideia errada de que ensinar significa eliminar o erro, quando na realidade ensinar implica ajudar o jovem atleta a compreendê-lo, aceitá-lo e crescer através dele.
“O erro não representa uma falha do processo de aprendizagem; faz parte dele”, escreve o autor, defendendo que é através das tentativas, das falhas e da capacidade de voltar a tentar que se desenvolvem competências como a confiança, a autonomia e a gestão dos desafios.
Outro dos pontos centrais da reflexão prende-se com a forma como a procura do resultado imediato pode limitar o desenvolvimento dos atletas. Segundo Gonçalo Mendonça, quando vencer se torna a prioridade absoluta, muitas vezes reduz-se a margem para experimentar, arriscar, tomar decisões e aprender com as consequências dessas decisões.
O coordenador dos Leões de Porto Salvo sublinha igualmente que a ambição não deve ser confundida com a obsessão pelo resultado. Pelo contrário, considera que a verdadeira ambição passa por alimentar nos jovens a vontade constante de aprender, melhorar e ultrapassar dificuldades.
Na reta final do artigo, alerta para um problema frequente na formação: a ambição dos adultos sobrepor-se às necessidades das crianças. Para o autor, o grande desafio está em garantir que o desejo de vencer não compromete o desenvolvimento daqueles que ainda estão a aprender.
A mensagem termina com uma reflexão que resume a visão defendida ao longo do texto:
“Não ganhar cedo. Mas formar crianças que continuem a aprender, a persistir e a gostar do jogo muito depois do resultado final. Porque talvez o maior sucesso da formação não seja a criança que ganha cedo, mas aquela que continua a querer aprender anos depois.”
Fonte: Artigo de opinião de Gonçalo Mendonça, coordenador do futsal de formação do CR Leões de Porto Salvo, publicado no jornal A Bola (13 de junho de 2026).