De 0-1 a 8-2: a reviravolta que repõe tudo em aberto na final, no derbi 100 de Nuno Dias e Paulo Luís.



O Sporting CP deu uma resposta arrasadora à derrota no primeiro jogo e goleou o SL Benfica por 8-2, no Pavilhão João Rocha, empatando a final da Liga Placard a uma vitória e adiando a possível festa encarnada. Numa noite de forte simbolismo — a do centésimo dérbi da dupla técnica leonina Nuno Dias e Paulo Luís, rivalidade iniciada a 6 de janeiro de 2013, com um Sporting 4-2 Benfica no Multiusos de Odivelas —, os leões transformaram um arranque equilibrado numa exibição de gala, deixando tudo em aberto na luta pelo título nacional.

A primeira parte foi de claro domínio verde e branco, ainda que o marcador teimasse em não refletir essa superioridade. Logo ao segundo minuto, o Sporting pediu penálti por um corte de braço sobre um remate de Pauleta, mas o Vídeo Suporte confirmou que nada havia a assinalar. Bernardo Paçó arriscou em funções de guarda-redes subido e obrigou Léo Gugiel a uma primeira grande defesa, prenúncio da exibição de gala que o guardião encarnado faria.

Contra a corrente, foi o Benfica a inaugurar o marcador. Ao quinto minuto, após uma falta sancionada com amarelo a Wesley, Arthur cobrou um livre frontal direto e atirou em força para o fundo das redes: 0-1, e um passo importante das águias rumo à conquista do título.

A reação leonina foi imediata. Ao minuto 9, Tomás Paçó isolou Bruno Pinto com um passe na profundidade e o ala, travado na primeira tentativa por Gugiel, não desperdiçou na recarga para empatar: 1-1. O Sporting carregava — Pauleta, Chishkala e Diogo Santos avisaram —, mas surgia sempre um intransponível Léo Gugiel a manter o Benfica vivo.

A muralha encarnada cedeu à insistência. À passagem do minuto 15, Felipe Valério rematou rasteiro pela esquerda, Gugiel travou em recurso, mas a bola sobrou para Bruno Pinto, que, ao segundo poste, bisou e operou a reviravolta: 2-1. Os leões ainda acertaram no poste por Alex Merlim, já perto do intervalo, depois de uma excelente jogada combinada. Ao descanso, vencia o Sporting por 2-1, num resultado curto para o que tinha sido o domínio leonino, e o Benfica devia muito ao seu guarda-redes para não ir para o balneário em desvantagem mais pesada.

E se a primeira parte ainda teve equilíbrio no marcador, a segunda foi de sentido único. Logo no minuto 22, em dois lances praticamente seguidos, o Sporting fugiu de vez: primeiro, Bernardo Paçó, em funções de guarda-redes subido, encontrou Zicky Té na cara de Gugiel e o pivot enganou o guardião com classe para o 3-1; de imediato, num contra-ataque relâmpago, Wesley serviu Tomás Paçó ao segundo poste e o ala desviou para o fundo das redes: 4-1.

O Sporting controlava o jogo a seu belo prazer e o Benfica não conseguia sequer ameaçar a baliza adversária. Zicky ainda acertou no poste ao minuto 25, antes de, ao minuto 31, num lance de insistência levado à terceira tentativa, Pauleta bater Gugiel para o 5-1. Ao minuto 33, Diogo Santos serviu Wesley ao segundo poste e o fixo só teve de encostar para o 6-1. Na sequência imediata, o Benfica ainda reduziu, com Arthur a servir Jacaré para um desvio à boca da baliza: 6-2.

A goleada ganhou então contornos históricos. Ao minuto 35, Alex Merlim rematou de livre direto e bateu Gugiel para o sétimo tento leonino (7-2) e, um minuto depois, num lance rocambolesco, um disparo de longe de Bernardo Paçó desviou em Diogo Santos antes de entrar na baliza encarnada: 8-2. O Benfica ainda ensaiou o 5x4 com guarda-redes avançado, mas o resultado não mais se alterou, havendo tempo para a estreia do jovem guarda-redes Pedro Silva ao serviço do Sporting. Aos 40 minutos, o árbitro confirmou a goleada.

Foi um triunfo rotundo e absolutamente arrasador do Sporting CP, que soube sofrer no momento de equilíbrio, foi letal na transição e implacável na eficácia, dando uma resposta de campeão num jogo decisivo. Já o SL Benfica, apesar do golo madrugador de Arthur e de uma primeira parte segura por um inspiradíssimo Gugiel, acabou por ruir por completo no segundo tempo, pagando caro a passividade defensiva e a incapacidade de travar a torrente ofensiva adversária. A final fica agora empatada a 1-1 e tudo se decidirá a partir do Jogo 3, num regresso ao Pavilhão Fidelidade.

Figura do Jogo: Bruno Pinto (Sporting CP)

Num jogo de muitos protagonistas leoninos, foi o bis de Bruno Pinto a mudar a cara da partida. O ala operou a reviravolta ainda na primeira parte, primeiro a aproveitar uma recarga e depois a encostar ao segundo poste, dando ao Sporting a vantagem que viria a dilatar de forma esmagadora. Numa noite de festa coletiva — e de homenagem ao centésimo dérbi de Nuno Dias e Paulo Luís —, foi o jogador que desbloqueou o caminho para a goleada. Menção especial para Tomás Paçó, autor de um golo e peça-chave nos lances que despoletaram a avalanche, e para Léo Gugiel, que, do lado do Benfica, evitou um resultado ainda mais pesado.


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