Paulo Roxo orquestra o regresso do Benfica à glória



O SL Benfica sagrou-se campeão nacional de futsal feminino ao vencer o GCR Nun'Álvares por 4-1, no Pavilhão Fidelidade, num Jogo 4 em que precisou de muita paciência, eficácia na reta final e uma boa dose de insistência para derrubar a resistência das condestáveis. Com o título em jogo, as águias dominaram quase todo o encontro, mas só depois de várias bolas aos ferros e de uma exibição notável da guardiã adversária conseguiram desatar o nó, num desfecho que devolve o maior troféu do futsal feminino português à Luz — o oitavo da sua história, reconquistado depois de o ter deixado escapar na época anterior.

O arranque, porém, sorriu às visitantes. Ao quinto minuto, numa combinação de qualidade entre Beatriz Fonseca e Ana Pires, a ala condestável acertou no ferro, com Fifó a desviar em cima da linha, mas a bola sobrou para a capitã Ana Azevedo, que só teve de encostar para inaugurar o marcador: 0-1. O Nun'Álvares ainda insistiu, com Dinha e Beatriz Fonseca a obrigarem Ana Catarina a intervir, mas a partir daí o jogo mudou de dono.

O Benfica assumiu o controlo e começou um autêntico cerco à baliza de Júlia Melz. A guardiã brasileira transformou-se no muro das condestáveis: negou o empate a Janice Silva por três vezes seguidas, entre os minutos 9 e 10, e voltou a travar Maria Pereira já perto do quarto de hora. As encarnadas batiam à porta sem encontrar a chave — Janice ainda rematou ao lado ao minuto 17 e, dois minutos depois, Sara Ferreira atirou ao poste, no prenúncio de uma noite de desencontros com os ferros.

A justiça acabaria por chegar antes do intervalo. Ao minuto 19, Dinha derrubou Angélica Alves dentro da área e a árbitra não hesitou em assinalar grande penalidade. Na conversão, Sara Ferreira não tremeu e restabeleceu a igualdade: 1-1, recompensa justa para o domínio encarnado. Ao descanso, o empate refletia o equilíbrio no marcador, mas não o ascendente das águias.

A segunda parte trouxe mais do mesmo: Benfica por cima, mas a esbarrar na falta de pontaria e na cintilante baliza adversária. Logo ao minuto 21, Lídia Moreira avisou ao atirar ao lado na cara de Ana Catarina, num susto para as encarnadas. A resposta foi um verdadeiro festival de remates aos ferros: Angélica Alves acertou na barra ao minuto 24, Fifó imitou-a ao minuto 27 e, ao minuto 31, foi a vez de Maria Pereira atirar de novo à barra. Em poucos minutos, três bolas ao ferro condenavam o Benfica a um suplício, enquanto Ana Azevedo, do outro lado, ficava perto do 2-1 numa recarga travada por Ana Catarina.

Quando a frustração ameaçava instalar-se, surgiu o momento da viragem. Ao minuto 36, na sequência de um canto, Maria Pereira recebeu em zona frontal sem oposição e bateu Júlia Melz com um remate em bico de fora da área, um golo de bela fatura que colocou finalmente o Benfica na frente: 2-1. E, um minuto depois, chegou o golo que tranquilizou as águias: Fifó conduziu a bola pelo corredor esquerdo durante toda a quadra e serviu Janice Silva ao segundo poste, com a internacional a encostar para o 3-1.

Em desvantagem e obrigada a arriscar, a equipa de Fafe apostou no 5x4 com guarda-redes avançado, mas a aposta acabou por sair cara. Ao minuto 39, Janice Silva voltou a encontrar caminho para o fundo das redes e bisou, fechando as contas em 4-1 e desencadeando a festa do título no Pavilhão Fidelidade.

Foi um triunfo merecido e construído com enorme persistência do SL Benfica, que soube não desesperar perante as sucessivas bolas aos ferros e a inspiração de Júlia Melz, e foi letal quando o jogo finalmente abriu. Já o GCR Nun'Álvares, apesar do golo madrugador de Ana Azevedo e de uma primeira meia hora de grande resistência, acabou por sucumbir ao domínio encarnado e pagou caro a incapacidade de segurar o resultado perante um adversário muito superior em volume ofensivo. As condestáveis despedem-se da final de cabeça erguida, mas o ceptro fica na Luz.

Figura do Jogo: Janice Silva (SL Benfica)

A internacional foi a maior ameaça encarnada do princípio ao fim. Testou Júlia Melz vezes sem conta na primeira parte e teve a frieza para, no momento decisivo, bisar e selar a conquista do título — primeiro a encostar ao segundo poste, depois a confirmar a goleada. Numa noite de muita insistência e pouca sorte com os ferros, foi Janice quem mais pesou no desfecho e arrastou o Benfica de volta ao topo. Menção especial para Maria Pereira, autora do golo que desbloqueou a partida.


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