"Para fazer algo extraordinário, é preciso estar de corpo, alma e espírito": Cassiano Klein
A equipa masculina de futsal do Sport Lisboa e Benfica defronta esta quinta-feira, 25 de junho, às 20h30, o Sporting CP no Pavilhão João Rocha, no Jogo 4 da Final do Playoff da Liga Placard. Num dérbi que pode decidir o campeão, a margem é mínima e o impacto é máximo. Com uma vantagem de 2-1 na eliminatória decisiva, os comandados de Cassiano Klein entram em quadra com a possibilidade real de fechar a série e conquistar o bicampeonato, mas conscientes de que cada detalhe pode ser determinante para o desfecho. Após o triunfo arrancado, com muito suor, no último encontro, decidido apenas nas grandes penalidades, o conjunto encarnado chega ao Jogo 4 com a possibilidade de fechar a final ainda em casa do rival.
Em declarações à BTV, Cassiano Klein começou por sublinhar a importância da aprendizagem após o esforço extremo do Jogo 3. "Primeiro, aprender. Entendemos que fizemos um jogo em que tivemos muito brio e uma constância muito grande. Fomos ao limite e, para conseguirmos atingir o nosso objetivo, temos de perceber que aquilo que fizemos precisa de mais um pouco. Foi suficiente para aquele jogo, mas tenho a certeza de que as equipas vão elevar o nível. É assim que acontece. Vamos aprendendo e temos de estar preparados para isso. A única maneira de conseguirmos atingir o nosso objetivo é dar um passo a mais", salientou.
À medida que a Final se aproxima do momento determinante, a componente emocional e coletiva ganha ainda mais peso, num cenário em que cada pormenor pode marcar a diferença. "Há uma filosofia que diz o seguinte: quando dizes que consegues, tens razão; quando dizes que não consegues, também tens razão. Quando falamos de subir de nível, é isso. Quando percebes que a tua equipa pode dar mais, começas a trabalhar nesse sentido. Porque uma equipa, para se manter no topo e alcançar conquistas gigantes, tem de fazer algo extraordinário. E, para fazer algo extraordinário, é preciso estar de corpo, alma e espírito, aproveitar toda a atmosfera que temos. Jogamos num clube magnífico, onde recebemos muito carinho e sentimos uma grande sinergia. Sabemos que os nossos adeptos vão estar lá, mesmo em menor número, e eles nunca se entregam. Uma das coisas que mais aprendo com eles é precisamente isso. Ficam os 40 minutos a cantar e, mesmo quando a massa adepta adversária, que está em maioria no pavilhão, procura abafar esse apoio, eles não desistem. É isso que procuramos levar para o campo. Não podemos desistir. Não importa se o resultado está desfavorável. Não podemos desistir. E essa é a mentalidade de que precisamos para lutar pelos nossos objetivos", apontou o técnico.
Com os bilhetes esgotados em poucos minutos, o ambiente que se espera no João Rocha reforça a dimensão deste embate, em que a responsabilidade cresce à medida que o troféu fica mais próximo. "É um dérbi fantástico, em que as duas equipas procuram dar o máximo e jogar para ganhar. Porque, por vezes, no desporto há equipas que jogam para não perder, e isso também tem o seu valor. Mas, quando se enfrenta uma equipa que joga para ganhar o tempo todo, talvez seja por isso que conseguimos promover tão bem o produto. Os adeptos querem estar presentes porque é realmente um jogo que empolga. Mesmo quando uma equipa está por baixo, luta para dar a volta. Para nós, é muito gratificante, porque sonhamos com estes momentos. Trabalhámos toda a época para chegar a estes jogos decisivos e sabemos que este confronto tem um impacto muito grande no futsal nacional e até no futsal mundial. Espero que consigamos fazer um belo trabalho e que, na quinta-feira, estejamos num dia muito feliz, tanto do ponto de vista tático como técnico e, principalmente, em termos de espírito, para conseguirmos competir muito", desejou Cassiano Klein.
Os resultados anteriores no João Rocha fazem parte da história recente, mas não condicionam uma equipa que vê pela frente uma nova oportunidade para alcançar o objetivo, consciente de que uma só partida pode mudar tudo. "Há algo em que acreditamos muito: nada define a tua vida. Se ganhas, ótimo. Se não consegues o resultado, a vida continua. Ou seja, quando perdes um jogo, mesmo que não tenhas estado bem, isso fica para trás. Se tivéssemos ganho todos os jogos lá, teríamos novamente a obrigação de vencer. Por isso, aquilo que procuramos fazer é aprender. Nos jogos que fizemos lá não conseguimos atingir o nosso objetivo e agora temos uma nova oportunidade. E pode ser uma oportunidade singular para conseguirmos finalizar um campeonato. Sabemos que não é simples, porque enfrentamos uma equipa com muita qualidade. E sabemos o quanto eles também vão lutar para reverter a situação. É isso que torna este jogo tão empolgante e emocionante. A equipa que tiver mais espírito, mais coragem e mais qualidade estará mais perto de vencer", alertou o treinador do campeão nacional em título.
A conquista da época passada, diante do mesmo adversário, trouxe ensinamentos importantes, mas não oferece qualquer garantia para o presente. Cada final tem a sua própria história e o SL Benfica sabe que terá de voltar a provar a sua capacidade num novo momento capital. "Foi uma experiência positiva, mas, como já frisei, isto é uma folha em branco. É um novo campeonato, com novos personagens, e temos de voltar a demonstrar a nossa capacidade. Claro que, quando consegues fazer uma vez, tudo parece mais possível. Mas também procuro respeitar muito o adversário que temos pela frente. E creio que a nossa equipa é muito experiente nesse aspeto. Ela percebe quem vai enfrentar e o que precisa de fazer para competir neste nível. No último jogo demos uma bela resposta. No segundo jogo não estivemos bem, em nenhum aspeto. Já no terceiro jogo deixámos a imagem do que é o Benfica, uma equipa que luta por cada milímetro. Agora, neste quarto jogo, vamos jogar na casa do adversário, o que torna tudo ainda mais desafiante. Mas também nos motiva muito, porque, se conseguirmos fazer um bom jogo lá, vamos criar muitas dificuldades ao adversário", finalizou Cassiano Klein.