No adeus de João Matos ao João Rocha, o Sporting vence o Benfica. Vamos ter jogo 5
O Sporting CP somou uma vitória de carácter sobre o SL Benfica, por 3-2, no Pavilhão João Rocha, e empatou a final da Liga Placard a duas vitórias, forçando um quinto e decisivo jogo na luta pelo título nacional. Numa noite especial, a da despedida de João Matos do Pavilhão João Rocha, os leões deram a volta a uma desvantagem com um segundo tempo fulgurante, adiando o sonho de bicampeonato encarnado para o derradeiro capítulo da eliminatória.
O arranque foi de enorme intensidade e com oportunidades a sucederem-se nos dois sentidos. Logo ao primeiro minuto, Felipe Valério, isolado por Chishkala, atirou contra a mancha de Léo Gugiel, e, ao minuto 2, Tomás Paçó acertou no poste com um pontapé do meio da rua, no primeiro de vários avisos aos ferros encarnados. Na resposta, o Benfica desperdiçou a melhor ocasião do início: Higor de Souza ficou isolado mas rematou ao lado. O Sporting voltava a ameaçar Zicky e Pauleta trocaram os passes num contra-ataque dois para zero ao minuto 4 e, ao minuto 6, Diogo Santos acertou de novo no poste após boa desmarcação.
A toada de jogaço manteve-se, com Bernardo Paçó e Léo Gugiel a destacarem-se nas duas balizas. Ao minuto 12, num lance que se viria a revelar caro para o Sporting, Zicky viu o cartão amarelo por protestos, ficando automaticamente fora do Jogo 5. Ao minuto 14, Rocha protagonizou um falhanço clássico, ao atirar ao lado com a baliza à mercê, no que era um golo cantado para os leões. O Benfica também rondou o golo, com Edmilson Kutchy e Higor a obrigarem Bernardo Paçó a defesas decisivas, mas o guardião leonino, ajudado por um providencial Felipe Valério a cortar como segundo guarda-redes, ia adiando o marcador.
A primeira parte teve dono no momento certo. Ao minuto 18, na sequência de um canto, Diego Nunes bateu colocado para o segundo poste e Edmilson Kutchy, solto na pequena área, apenas teve de desviar para o fundo das redes: 0-1. As águias chegavam ao intervalo na frente, a 20 minutos do bicampeonato, ainda que o Sporting reclamasse, via Vídeo Suporte, um lance de André Coelho sobre o cabelo de Zicky, do qual resultou apenas livre, sem cartão.
A reviravolta, porém, começou a desenhar-se logo no reatamento. Ao minuto 21, numa fantástica jogada coletiva, Zicky fez o trabalho de pivô e serviu Pauleta na corrida, com o ala a atirar colocadíssimo para o 1-1, levando o João Rocha à loucura. Ao minuto 22, Alex Merlim acertou na barra, com a bola a sair do ferro encarnado, e, ao minuto 30, Felipe Valério, de novo servido por Zicky, atirou ao poste num lance quase idêntico ao do empate. Os leões fervilhavam e os ferros do Benfica tremiam.
O Benfica resistia e respondia com Lúcio Rocha a driblar Merlim e Jacaré a ameaçar, mas o ascendente era leonino. Ao minuto 34, surgiu mais uma obra de arte de Zicky: o pivô driblou André Coelho na direita e desenhou uma assistência milimétrica em diagonal, atravessando toda a área, até Diogo Santos encostar ao segundo poste para a reviravolta: 2-1. E, ao minuto 36, na sequência de um livre, Alex Merlim ajeitou para Tomás Paçó, que fuzilou as redes para o 3-1, com o pavilhão em êxtase.
Em desvantagem e obrigado a arriscar, o Benfica apostou no 5x4, com Cassiano Klein a retirar Léo Gugiel da baliza. A jogada deu frutos: ao minuto 38, após um bloqueio de Higor sobre Bruno Maior, Diego Nunes, em funções de guarda-redes avançado, pisou a bola e rematou cruzado para o 3-2, relançando a final a dois minutos do fim. No frenesim final, Zicky ainda atirou às malhas laterais com a baliza deserta e o Vídeo Suporte anulou cartões vermelhos a Zicky e Kutchy após uma pequena confusão, mantendo as equipas completas. O apito final confirmou o triunfo leonino.
Foi um triunfo justo e de enorme valor anímico do Sporting CP, que soube sofrer perante um Benfica organizado, foi avassalador na entrada para a segunda parte e contou com génios em noite inspirada para operar a reviravolta. Já o SL Benfica, apesar de ter dominado largos períodos e de ter chegado à frente, pagou caro a quebra no arranque do segundo tempo e a incapacidade de travar os lances individuais adversários, falhando a oportunidade de fechar o título. Tudo se decidirá agora no Jogo 5, a 28 de junho, no Pavilhão Fidelidade, num autêntico jogo único pelo ceptro nacional — que o Sporting terá, no entanto, de disputar sem Zicky, peça decisiva nesta reviravolta e castigado com o amarelo visto no João Rocha.
Figura do Jogo: Tomás Paçó (Sporting CP)
O fixo leonino foi o jogador mais influente em campo, juntando enorme critério defensivo a uma permanente ameaça ofensiva. Avisou logo ao minuto 2 com um remate ao poste, voltou a testar Léo Gugiel ao longo da partida e, no momento decisivo, carimbou o 3-1 com um disparo fulminante, após o ajeite de Alex Merlim, colocando o Sporting na rota do quinto jogo. Sempre presente nos lances quentes e impecável na leitura do jogo, Tomás Paçó foi o rosto da reviravolta leonina. Menção para Zicky, autor de duas assistências de luxo numa exibição que, ironicamente, lhe custou o Jogo 5, e para Pauleta e Diogo Santos, que materializaram a reação verde e branca.
Foto - ruipereiraphotography