Benfica vence Sporting na negra e é Bi Campeão Nacional
O SL Benfica é bicampeão nacional de futsal. Num Pavilhão Fidelidade esgotado e em êxtase, as águias venceram o Sporting CP por 4-3, num Jogo 5 absolutamente eletrizante, e fecharam a final da Liga Placard por 3-2 na série, revalidando o título conquistado na época anterior. Numa noite que entrará na história, o herói teve um nome improvável: Léo Gugiel, o guarda-redes que inaugurou o marcador com um golaço do meio da rua e ainda se multiplicou em defesas decisivas. A estatística histórica voltou a confirmar-se, em 18 das 20 edições anteriores do playoff, o vencedor do Jogo 1 sagrou-se campeão, e o Benfica vencera precisamente o primeiro capítulo.
O arranque foi de enorme intensidade e até favorável ao Sporting. Aos 45 segundos, Alex Merlim apareceu na cara de Léo Gugiel, mas o guardião encarnado ganhou o duelo na saída, e Rocha, ao minuto 5, também viu o seu remate ser negado. O Benfica resistia e, ao minuto 6, aconteceu o inacreditável: sem oposição pela frente, Léo Gugiel rematou de muito longe, ainda fora da área leonina, e a bola, depois de embater na barra, entrou na baliza de Bernardo Paçó — 1-0, um golo de guarda-redes a abrir a decisão do título. E o pesadelo leonino agravou-se de imediato: ainda ao minuto 6, numa reposição rápida, Arthur serviu André Coelho, que encheu o pé direito de forma fulminante para o 2-0.
Os leões estavam grogues e quase ruíram de vez. Ao minuto 7, Edmilson Kutchy acertou no poste e, na resposta, André Coelho cortou em cima da linha um remate de Tomás Paçó, mantendo a vantagem de dois golos. O Sporting, contudo, foi reagindo. Ao minuto 9, Felipe Valério atirou a centímetros do poste e, ao minuto 11, beneficiou de um momento de ouro: o Vídeo Suporte confirmou falta sobre o ala e, como o Benfica já tinha cinco faltas, foi assinalado livre direto de 10 metros. Cassiano Klein lançou então Diogo Carrera especificamente para a baliza e o guarda-redes substituto defendeu o castigo máximo a Tomás Paçó, repetindo a façanha do Jogo 3 e levando as bancadas encarnadas ao rubro.
O Sporting não desarmou e acabou recompensado. Ao minuto 14, Allan Guilherme serviu Tomás Paçó, que — depois de ter falhado o livre de 10 metros — se redimiu com um remate de qualidade no coração da área para o 2-1. O jogo seguia em alta tensão, com Bernardo Paçó a evitar um autogolo dos próprios leões e Léo Gugiel a negar Allan Guilherme já perto do intervalo, ao qual se chegou com o Benfica na frente por 2-1.
A segunda parte foi de loucos. Léo Gugiel travou logo duas ocasiões leoninas no minuto 21, mas o equilíbrio de golos acabou por explodir a meio do tempo. Ao minuto 25, um remate de Bernardo Paçó do meio da rua esbarrou num jogador e a bola sobrou para Diogo Santos, que rematou para o 2-2. Resposta imediata: ao minuto 26, Bernardo Paçó não segurou um disparo de Diego Nunes e Silvestre Ferreira aproveitou para fazer o 3-2. E, ao minuto 27, Tomás Paçó bisou, ao rodar na área e rematar com classe para o 3-3 — seis golos num ápice numa final ao rubro.
O desfecho, porém, voltaria a sorrir às águias. Ao minuto 30, após falta dentro da área leonina, a arbitragem assinalou grande penalidade, convertida com frieza por Edmilson Kutchy: 4-3. A partir daí, foi tempo de sofrer. O Sporting carregou, Wesley acertou no poste ao minuto 35 e Bernardo Paçó agigantou-se em defesas sucessivas do outro lado. Ao minuto 38, Nuno Dias apostou no 5x4, retirando Bernardo Paçó da baliza, e Bruno Pinto ainda atirou ao poste ao minuto 39, no lance que poderia ter forçado o prolongamento.
Nos instantes finais, o Benfica defendeu com unhas e dentes, negando por três vezes seguidas o empate leonino, e o derradeiro lance ainda trouxe um golpe duro para o Sporting: já nos segundos finais, o Vídeo Suporte confirmou a expulsão de Tomás Paçó. Pouco depois, soou o apito que desencadeou a festa do bicampeonato no Fidelidade.
Foi um triunfo justo e de enorme carácter do SL Benfica, que entrou forte, soube resistir à reação leonina nos momentos de maior caos e teve frieza nos lances decisivos para revalidar o ceptro nacional. A equipa de Cassiano Klein confirmou o estatuto de campeã com uma exibição de coragem coletiva e heróis em todas as linhas. Já o Sporting CP, privado de Zicky e obrigado a remar contra um 2-0 madrugador, reagiu com bravura e chegou a empatar por três vezes, mas pagou caro o arranque desastroso, o penálti de 10 metros falhado e os ferros que teimaram em travá-lo. A equipa de Nuno Dias, que procurava mais um título para o seu recordista currículo, despede-se da final de cabeça erguida, mas sem o ceptro - adiado fica também o sonho do 13.º título de João Matos.
Figura do Jogo: Léo Gugiel (SL Benfica)
Há noites que pertencem a um só homem. O guarda-redes brasileiro inaugurou o marcador com um golaço do meio da rua, à barra e dentro, num momento que ficará para a história da Liga Placard, e ainda acumulou um sem-fim de defesas decisivas perante Alex Merlim, Allan Guilherme, Diogo Santos e companhia. Quando saiu para dar lugar a Diogo Carrera no livre de 10 metros, viu o seu substituto defender o castigo a Tomás Paçó — prova de que, nesta noite, até a baliza encarnada estava abençoada. Decisivo a marcar e a defender, Léo Gugiel foi o rosto de um bicampeonato inesquecível. Menção para Edmilson Kutchy, autor do penálti da vitória, André Coelho, e, do lado leonino, para um incansável Tomás Paçó, autor de um bis numa noite que, ainda assim, terminou em lágrimas.