OBRIGADO, JOÃO MATOS: a lenda do futsal português despede-se aos 39 anos
João Matos, capitão do Sporting CP e da Seleção Nacional de Portugal, despediu-se este domingo, aos 39 anos, de uma carreira absolutamente ímpar no futsal português, ao realizar o seu último jogo no derradeiro encontro da Final da Liga Placard 25/26, no Pavilhão Fidelidade. Encerra-se assim uma das carreiras mais brilhantes da história do futsal mundial, num adeus que ficará marcado a fogo na memória de todos quantos amam a modalidade. Fica para trás um legado de superação, disciplina, capacidade de trabalho e amor incondicional ao futsal, com o camisola 9 a tornar-se ao longo de quase duas décadas num exemplo absoluto de profissionalismo e fairplay dentro e fora dos pavilhões.
João Matos termina a carreira com 213 jogos pela Seleção Nacional, registando-se como o mais internacional de sempre pela Equipa das Quinas. Olhando ao percurso desde a primeira internacionalização, o capitão atingiu este feito em 16 anos e 22 dias, sendo que chegou ao recorde aos 37 anos. Dos 213 jogos, 200 foram sob a liderança de Jorge Braz (e os restantes 13 sob a tutela de Orlando Duarte). A estreia internacional aconteceu a 25 de novembro de 2008, num encontro de preparação com a Geórgia, no Pavilhão Municipal Alto Moinho (Seixal), que terminou com vitória lusa por 8-1.
A partir daí, João Matos transformou-se num exemplo absoluto de dedicação, profissionalismo e determinação. Líder por natureza, assumiu a braçadeira de capitão da Seleção em novembro de 2021, com a saída de Ricardinho, e nunca mais a largou até este domingo. Os colegas da primeira internacionalização incluem nomes incontornáveis do futsal nacional como João Benedito, Bebé, Ricardinho, Pedro Costa, Israel, Arnaldo Pereira, Marcelinho, Leitão, Jardel e Joel Queirós, gerações que escreveram páginas douradas da modalidade.
No capítulo dos títulos pela Seleção Nacional, João Matos conquistou quatro grandes troféus: o Bicampeonato da Europa em 2018 e 2022, o Mundial em 2021 e a Finalíssima em 2022. Soma ainda quatro participações em Mundiais e seis presenças em Europeus, um registo absolutamente incomparável. Portugal foi, com João Matos, a maior força mundial do futsal, com a coroação suprema do título mundial de 2021 a sentenciar uma geração dourada do desporto nacional.
A nível de clubes, a carreira de João Matos confunde-se com a história do Sporting Clube de Portugal. Mais de 18 temporadas ao serviço dos verde e brancos, desde 2008/09 até 2025/26, fazem do capitão leonino uma das maiores referências da história do clube no futsal. O palmarés do número 9 é absolutamente arrasador, contabilizando mais de 40 títulos coletivos, entre os quais 12 vezes Campeão Nacional da I Divisão de Futsal (recorde absoluto da história da prova), 10 Taças de Portugal, 9 Supertaças e 6 Taças da Liga, fazendo dele o jogador mais titulado da história do futsal português. Soma ainda títulos europeus com a equipa leonina, com destaque para as conquistas da UEFA Futsal Champions League ao serviço dos verde e brancos.
Na temporada 2025/2026, João Matos ainda contribuiu para a conquista da UEFA Futsal Champions League e da Supertaça pelo Sporting CP, somando 24 jogos, 1 golo e 3 assistências ao longo do ano. 7 desses jogos foram na Champions League (incluindo a final do triunfo europeu), 15 na Liga Placard e 2 na Taça de Portugal. Um adeus em alta, com mais dois títulos no palmarés, num ato que confirma a tradição de João Matos sair sempre dos campos como vencedor.
E é precisamente neste momento que a Zona Técnica Futsal se ergue, em nome de toda a comunidade do futsal nacional, para deixar uma palavra de profundo agradecimento ao capitão. No dia 28 de Junho, o Pavilhão Fidelidade foi palco de muito mais do que uma final. Foi palco do adeus de uma lenda. João Matos. O capitão dos capitães. O líder da maior geração do futsal português. O homem que, com a camisola 9 vestida, fez Portugal acreditar que era possível ser o melhor do mundo e provou-o. Os números são absurdos: 213 vezes Portugal, 12 vezes Campeão Nacional, mais de 40 títulos, Campeão Mundial, Bicampeão da Europa, vencedor da Finalíssima. Mas os números nunca contarão a história inteira. Porque João Matos não foi apenas o jogador mais titulado e mais internacional da história do futsal português. Foi o exemplo. Foi a referência. Foi a calma do balneário, a voz da experiência, o braço estendido aos mais novos, o adversário leal, o líder que nunca falhou um treino, nunca dramatizou uma derrota, nunca exagerou uma vitória. Foi o homem que ensinou uma geração inteira o que significa vestir uma camisola com profissionalismo, fairplay e amor à modalidade.
Hoje, todo o futsal português se ergue para te aplaudir. Não há leões nem encarnados. Não há rivalidades. Há só uma palavra que une todos os adeptos, todos os jogadores, todos os treinadores, todos os clubes e todos os pavilhões deste país: OBRIGADO. Obrigado por nos teres feito sonhar. Obrigado por nos teres feito acreditar. Obrigado por nos teres feito vibrar. Obrigado por seres, dentro e fora das quatro linhas, o melhor que o futsal português tem para oferecer. O capitão pendura a camisola. A lenda fica para sempre. Boa retirada, JM9. O futsal português nunca te esquecerá.