Cristiano Coelho: «Os verdadeiros reforços foram aqueles que ficaram»
O Ferreira do Zêzere prepara a temporada 2026/27 novamente com Cristiano Coelho no comando técnico, dando continuidade a um projeto iniciado em 2023 e que tem procurado consolidar o clube entre a elite do futsal português.
Apesar de manter uma base importante, o plantel sofreu uma renovação significativa, com cerca de 50% da equipa alterada. Ainda assim, o treinador destaca a importância dos jogadores que permaneceram e que assumem agora um papel fundamental na transmissão da identidade do clube aos novos elementos.
Em entrevista à Zona Técnica Futsal, Cristiano Coelho falou sobre o crescimento do projeto, a maturidade competitiva adquirida, a construção do novo plantel e a ambição de continuar a elevar o patamar do clube na Liga Placard.
Zona Técnica Futsal — Depois de mais uma temporada na Liga Placard, que balanço faz do percurso do Ferreira do Zêzere e em que aspetos sente que a equipa evoluiu mais?
Cristiano Coelho: “Se compararmos o percurso desde que iniciámos este projeto em 2023, a evolução do Ferreira do Zêzere foi significativa em praticamente todos os aspetos, dentro e fora da quadra. A estrutura ligada ao futsal profissional cresceu, o apoio material melhorou e, hoje, o Sport Club apresenta uma cultura muito própria (desportiva, social e escolar) e uma identidade clara na forma como treinamos e competimos.
Relativamente à época 2025/2026, foi uma temporada marcada por desafios, mas também por sinais evidentes de crescimento. A equipa demonstrou uma capacidade competitiva cada vez mais sólida, sobretudo nos momentos de maior pressão. Evoluímos em todas as dimensões da organização de jogo e ganhámos maior maturidade coletiva, o que nos permitiu ser mais consistentes ao longo da época.”
ZTF — O plantel apresenta uma base relativamente estável e jogadores já muito identificados com o clube. Até que ponto essa continuidade pode ser uma vantagem numa Liga Placard cada vez mais equilibrada e exigente?
Cristiano Coelho: “Apesar de o plantel apresentar uma base estável, a verdade é que acabámos por mudar cerca de 50% da equipa. Isso é, por si só, um sinal da boa época que fizemos e do crescimento individual dos nossos atletas, que seguiram para algumas das melhores equipas do mundo.
Nesse sentido, costumo dizer que os verdadeiros reforços foram aqueles que ficaram. São eles que carregam a responsabilidade de transmitir aos novos jogadores toda a identidade do clube, a forma como trabalhamos e aquilo que esperamos competitivamente.”
ZTF — O grupo mistura jogadores experientes, como Nilton, Wendell ou Rui Fortes, com vários atletas jovens. Como procura equilibrar experiência e juventude na construção da equipa?
Cristiano Coelho: “Somos uma equipa com uma identidade muito própria, sabemos exatamente o que queremos e como trabalhar para atingir o máximo das nossas capacidades enquanto grupo. Essa identidade é construída diariamente e serve de base para equilibrar a experiência com a juventude.
A verdade é que a nossa base como equipa sempre assentou nesta combinação, ligar a experiência com a aposta contínua em atletas jovens.
Quero é garantir que estes dois perfis se complementam, criando uma equipa competitiva, ambiciosa e alinhada com a identidade de jogo que queremos apresentar.”
ZTF — O Ferreira do Zêzere tem vindo a construir uma identidade competitiva própria. Que equipa pretende apresentar em 2026/27 e em que aspetos quer ver uma evolução relativamente à época anterior?
Cristiano Coelho: “Tenho a certeza de que vamos ser uma equipa diferente em 2026/27, muito devido ao perfil dos atletas que integram o grupo. Ainda assim, o nosso objetivo mantém se: apresentar uma equipa ainda mais consistente, intensa e capaz de controlar os diferentes momentos do jogo.
A nossa identidade passa por ser competitivos em todos os pavilhões, com uma mentalidade forte e uma organização que nos permita disputar cada ponto, cada centímetro e cada segundo. Queremos evoluir na capacidade de impor o nosso ritmo, na qualidade das nossas dinâmicas coletivas e na forma como gerimos os momentos críticos do jogo.”
ZTF — Qual é a fasquia para esta temporada? O objetivo principal passa pela manutenção tranquila ou acredita que o Ferreira do Zêzere tem condições para aproximar-se da luta pelo playoff?
Cristiano Coelho: “O foco é crescer, consolidar ainda mais o projeto e continuar a elevar o nome do clube na Liga Placard. Neste momento, os nossos objetivos são diários, muito centrados na tarefa, dentro e fora da quadra. Trabalhamos para melhorar cada detalhe, cada comportamento e cada momento competitivo.
Ainda assim, não fujo à responsabilidade de querer fazer melhor do que nas épocas passadas. Queremos ser uma equipa mais consistente, mais madura e mais preparada para disputar cada jogo com ambição. Se mantivermos esta mentalidade e a nossa identidade competitiva, acredito que podemos aproximar-nos de patamares superiores.”
O Ferreira do Zêzere entra assim em mais uma temporada da Liga Placard com uma ideia clara de continuidade, mesmo num plantel bastante alterado. Para Cristiano Coelho, o crescimento do projeto não se mede apenas pelos resultados, mas também pela consolidação de uma cultura própria e pela capacidade de competir com identidade, ambição e maturidade cada vez maiores.