Eficácia espanhola derruba um Benfica dominador
O Illes Balears Palma somou um triunfo de mérito ao derrotar o SL Benfica por 3-2, no jogo inaugural de domingo do Record Internacional Masters Futsal 2026, perante cerca de dois mil adeptos na Arena de Portimão. Numa espécie de desforra da última final da Champions, o vice-campeão europeu foi eficacíssimo na primeira parte, construiu uma vantagem de dois golos ao intervalo e, apesar de uma segunda metade bem mais animada e de um final imprevisível, soube gerir o resultado que sempre teve do seu lado.
Com Cassiano Klein a apostar no pivô Rúben Góis e a poupar Silvestre a pensar na Supertaça, o Benfica entrou por cima. Léo Gugiel subiu no terreno como guarda-redes subido logo na bola de saída e as águias, mais tempo em 3:1, impuseram pressão alta e posse consistente. Aos 70 segundos, Lúcio ficou perto de marcar na cara do guardião e sucederam-se remates e cantos com perigo, mas o Palma, a defender na linha do meio-campo, foi equilibrando a partir dos cinco minutos.
E foi na primeira reação a sério que os espanhóis feriram. Ao minuto 7, numa excelente saída à pressão, uma indecisão na marcação libertou espaço e Zanotto aproveitou na ala para assistir Alisson, que rematou de bico para o fundo das redes: 0-1. Pior ainda para o Benfica, ao minuto 14, quando Carlos Gomez intercetou um passe de Arthur no corredor central e rematou forte e colocado para o 0-2. A juntar à desvantagem, as águias atingiram a quinta falta à beira dos 15 minutos, e o Palma sentiu-se cada vez mais confortável, fiel ao "jeito espanhol" de definir bem os momentos. Rúben Góis e Anderson ainda tiveram chances para reduzir, mas esbarraram em boas defesas de Dennis Cavalcanti. Ao intervalo, o Benfica mandava entre as áreas, mas o Palma era mais forte dentro delas — e vencia por 2-0.
A segunda parte foi eletrizante, com três golos em quatro minutos. O Benfica regressou com mais dinâmica e reduziu logo ao minuto 22: Lúcio rematou para defesa incompleta de Cavalcanti e, na insistência, Arthur surgiu isolado na direita para concluir em jeito, cruzado de baixo para cima — 2-1. A resposta do Palma, porém, foi imediata e cruel. Ao minuto 23, Lúcio escorregou a tentar o corte e a bola sobrou para Charuto, que lançou um contra-ataque dois contra o guarda-redes, tabelou com Fabinho e desviou para a baliza deserta: 1-3. Quase de imediato, ao minuto 24, o Benfica voltou a reagir: com Gugiel de novo em guarda-redes subido, Pany rematou contra Piqueras e Kutchy apareceu na recarga a atirar rasteiro ao canto para o 2-3.
A partir daí, o jogo tornou-se "mais dos jogadores", com o Palma a segurar o resultado e o Benfica a carregar em busca do empate. As melhores ocasiões pertenceram às águias, e a emoção subiu de tom quando, ao minuto 36, Arthur entrou como guarda-redes avançado no tudo-por-tudo encarnado — ao que Vadillo respondeu, dois minutos depois, colocando Charuto com a camisola de guarda-redes para segurar a posse. Os minutos finais foram caóticos e imprevisíveis, com lances claros dos dois lados e os treinadores a gerir tempos mortos ao segundo, mas o marcador não mais se alterou.
Foi um triunfo justo e competente do Illes Balears Palma, que capitalizou o facto de marcar primeiro e de estar sempre na frente — tendência marcante neste tipo de embates —, competiu com enorme eficácia e soube sofrer nos momentos de maior pressão adversária. Já o SL Benfica, apesar de ter dominado a "quantidade de jogo" e de ter criado as melhores ocasiões, pagou caro a falta de eficácia e dois erros defensivos determinantes, somando a primeira derrota no torneio. Um resultado que pouco beliscará a confiança do bicampeão nacional, mas que deixa o Palma de novo em rota ascendente.
Figura do Jogo: Charuto (Illes Balears Palma)
O pivô espanhol foi determinante no momento mais quente do jogo. Quando o Benfica reduziu para 2-1 e cheirava a reviravolta, foi Charuto quem, num contra-ataque letal, restabeleceu a vantagem de dois golos ao tabelar com Fabinho e desviar para a baliza deserta. Ainda assumiu funções de guarda-redes avançado na reta final, ajudando a segurar o resultado. Decisivo no golo que valeu os três pontos, foi o rosto da eficácia do Palma. Menção para Dennis Cavalcanti, seguro nas defesas que travaram o Benfica na primeira parte, e para Carlos Gomez, autor de um belo 0-2.
Foto - @jg.visualsz