Barça sobrevive ao caos, derruba o Jaén nos penáltis e vai à final da Supercopa
O jogo começou praticamente em combustão. O Jaén marcou primeiro através de Raggiati, mas a resposta blaugrana foi imediata e brutal: Pito bisou em apenas alguns minutos e virou o marcador para 2-1, mostrando desde cedo que o Barça estava disposto a acelerar sempre que encontrasse espaço entre a recuperação e a primeira ação ofensiva.
A formação de Javi Rodríguez conseguiu depois estabilizar melhor a posse e chegou ao 3-1 aos 14 minutos, com Touré a aparecer dentro da área e a finalizar com tranquilidade. Nesse momento, o Barça parecia ter encontrado maior controlo posicional, enquanto o Jaén procurava alongar as posses e jogar em estrutura de quatro para retirar velocidade ao encontro.
Mas o Jaén nunca saiu verdadeiramente do jogo. Aos 18 minutos, Esteban Cejudo reduziu para 3-2, num remate quase sem ângulo que passou por baixo das pernas de Feixas e devolveu proximidade ao marcador antes do intervalo. O próprio discurso no descanso refletia a natureza da partida: um jogo “louco”, com o Barça por cima, mas sem nunca conseguir retirar completamente o adversário da discussão.
A segunda parte começou com Dídac na baliza catalã, mas foi o Jaén quem voltou a mexer no resultado. Aos 23 minutos, Esteban aproveitou um erro de Touré num lançamento lateral em campo próprio e fez o 3-3, castigando de imediato uma perda numa zona que não permitia reorganização defensiva.
A partir daí, o jogo entrou numa fase de maior descontrolo. As duas equipas aceitaram correr, multiplicaram-se as transições e o encontro perdeu referências de posse longa. O Barça criou mais situações, mas o Jaén continuou a encontrar valor nas bolas paradas e nos segundos lances.
Foi precisamente através desse tipo de contexto que o Jaén chegou ao 3-4 aos 32 minutos. Depois de vários minutos de pressão e duas intervenções importantes de Dídac, Esteban desviou com o peito um remate de longe e completou o hat-trick, colocando a equipa andaluza novamente na frente.
O Barça ficou então obrigado a reagir e voltou a fazê-lo com qualidade individual. Aos 36 minutos, Matheus soltou o esquerdo e fez o 4-4, num remate que ainda tocou no poste antes de entrar. Foi um golo de enorme peso emocional, porque devolveu o equilíbrio num momento em que o Jaén tinha conseguido inclinar o jogo a seu favor.
Javi Rodríguez chegou mesmo a preparar o 5x4, primeiro hesitando após o empate e depois avançando com Antonio como guarda-redes avançado já perto do fim. O Barça queria evitar os penáltis, mas o encontro entrou nos últimos segundos sem novo golo. Houve ainda uma expulsão de Sergio González a 42 segundos do fim, num lance interpretado como mão para impedir uma finalização sem guarda-redes, mas o 4-4 resistiu até ao apito final.
Nos penáltis, o jogo ganhou outra dimensão.
O Jaén chegou a colocar-se na frente da série, Espíndola travou o remate de Eric Martel, e tudo parecia novamente inclinar-se para o lado andaluz. Mas Dídac assumiu definitivamente o protagonismo, defendendo os remates de Eloy Rojas, Nando e Boyis, três intervenções que mantiveram o Barça vivo e inverteram a lógica emocional da decisão.
Depois de conversões de Matheus, Catela e Adolfo, a série entrou em morte súbita. Com o marcador empatado a cinco, Dídac travou Boyis e entregou ao Barça a oportunidade definitiva. Mouhoudine não falhou e assinou o 6-5, colocando os catalães na final.
O Barça chega assim à decisão depois de um jogo em que nunca conseguiu controlar por completo o Jaén, mas mostrou algo igualmente importante: capacidade para sobreviver aos momentos de desordem, responder em desvantagem e encontrar clareza quando o jogo passou a depender exclusivamente da execução e do controlo emocional.
A final será diante do ElPozo, que venceu o Palma Futsal por 8-4 na outra meia-final.
Figura da Partida — Dídac Plana (Barça)
Entrou ao intervalo e acabou por decidir o jogo quando a margem de erro desapareceu. Três penáltis defendidos, várias intervenções importantes durante a segunda parte e uma presença emocional enorme na série final.
Num encontro em que o Barça viveu no limite entre o controlo e o caos, Dídac foi a referência que estabilizou a equipa quando já não havia espaço para corrigir erros. O jogo terminou empatado, mas a final começou nas mãos dele.