ElPozo quebra a seca no Palau: nove anos depois, Murcia volta a celebrar
O ElPozo Murcia conquistou a Supercopa de Espanha ao vencer o Barça por 5-4, no Palau Blaugrana, numa final em que foi mais sólido, mais contundente nas transições e mais eficaz nos momentos de decisão. A equipa murciana soube aproveitar melhor os erros adversários, resistiu à recuperação catalã e encontrou sempre resposta quando o Barça parecia finalmente assumir o controlo do jogo.
Desde o início, o ElPozo deixou clara a sua ideia: bloco organizado, pressão alta sobre a saída blaugrana e aceleração imediata após recuperação. O primeiro golo nasceu dessa capacidade para castigar rápido. Gonzalo Santa Cruz abriu o marcador com um remate de grande qualidade à meia-volta, surpreendendo Dídac e colocando o 0-1.
Pouco depois, Pachu voltou a atacar o espaço numa transição rápida e finalizou cruzado para fazer o 0-2, deixando o Barça obrigado a jogar em perseguição desde cedo.
A equipa de Javi Rodríguez tinha mais bola, mas poucas situações verdadeiramente limpas. Foi preciso um momento de qualidade para recolocar os catalães no encontro. Eric Martel, após um passe longo de Dídac, apareceu com uma finalização de primeira e reduziu para 1-2, dando nova energia ao Palau.
O ElPozo, porém, voltou a ser mais eficaz no arranque da segunda parte. Numa nova transição, Marcel apareceu para fazer o 1-3, num momento em que a final parecia começar a escapar ao Barça.
Foi então que surgiu a melhor fase blaugrana.
Com maior agressividade ofensiva e mais presença em zonas interiores, o Barça conseguiu recuperar terreno. João Victor recebeu de costas, rodou e finalizou para o 2-3, antes de Adolfo, após passe de Pito, pisar a bola e concluir para o 3-3.
O Palau acreditava e o jogo parecia finalmente inclinar-se para os catalães.
Mas foi precisamente aí que o ElPozo voltou a mostrar maior maturidade competitiva.
Num erro defensivo blaugrana, Marcel apareceu novamente e fez o 3-4, completando o bis e devolvendo imediatamente a vantagem à formação murciana.
O Barça passou então para o 5x4, procurando criar superioridade numérica e voltar ao empate. Matheus ainda teve uma ocasião clara para fazer o 4-4, mas falhou sozinho em zona de finalização.
Na resposta, o ElPozo castigou. Gadeia aproveitou a transição com a baliza desprotegida e fez o 3-5, num lance que praticamente decidiu a final.
Ainda assim, o Barça não desistiu.
A 11 segundos do fim, Catela, já como guarda-redes avançado, encontrou espaço para reduzir para 4-5 e devolver esperança ao Palau.
Faltava apenas um último ataque, mas o ElPozo conseguiu sobreviver aos segundos finais e confirmou a conquista da Supercopa.
O 5-4 premiou a equipa que melhor soube gerir os momentos críticos. O Barça teve fases de grande intensidade e conseguiu recuperar de dois golos de desvantagem, mas voltou a sofrer sempre que parecia assumir o controlo emocional do encontro.
O ElPozo, pelo contrário, transformou cada momento de fragilidade adversária em ameaça real. Santa Cruz abriu, Pachu ampliou, Marcel respondeu duas vezes e Gadeia fechou o golpe decisivo.
Mais do que o troféu, a vitória representa o fim de uma longa espera. Nove anos depois, o ElPozo volta a levantar um título nacional e fá-lo no Palau, diante do Barça, numa final em que a eficácia, a transição e o controlo emocional fizeram a diferença.
Figura da Partida — Marcel (ElPozo Murcia)
Dois golos e presença decisiva nos dois momentos em que a final ameaçou mudar de dono. Marcou o 1-3 no arranque da segunda parte e, depois do Barça recuperar até ao 3-3, apareceu novamente para fazer o 3-4.
Foi a referência ofensiva de um ElPozo que nunca perdeu clareza nos momentos de maior pressão e que voltou a encontrar nele a solução quando o jogo mais exigia decisão.
Resultado final: Barça 4-5 ElPozo Murcia