Dérbi vibrante no João Rocha termina empatado num 3-3 de emoções fortes
O Sporting CP e o SL Benfica protagonizaram um dérbi intensíssimo e equilibrado que terminou empatado a três golos, no Pavilhão João Rocha, em jogo grande da 3.ª jornada da Liga Placard. Num clássico fiel à sua natureza, muita intensidade, importância decisiva das bolas paradas e das transições, e pormenores a fazer a diferença, o Benfica reagiu por duas vezes à desvantagem e arrancou um ponto valioso em Alvalade, resultado que mantém os leões na liderança, mas com o rival ainda à espreita.
O jogo abriu cedo e a um ritmo alucinante. Ao minuto 4, num canto cobrado por Alex Merlim, Diogo Santos surgiu com espaço na zona central e rematou forte para o 1-0. Mas, "a papel químico", o Benfica respondeu de imediato: ainda ao minuto 4, numa reposição lateral, Arthur descobriu Silvestre Ferreira, que igualou com um remate fortíssimo (1-1). O Sporting foi crescendo e teve tudo para se adiantar, mas desperdiçou de forma incrível: ao minuto 11, Rocha falhou um golo cantado, sem guarda-redes, e, ao minuto 13, após uma mão de Silvestre na área, Bruno Pinto atirou a grande penalidade à barra. A primeira parte, muito disputada e com poucas oportunidades de ataque posicional, terminou empatada a uma bola, num período em que Léo Gugiel já se destacava na baliza encarnada e Eduardo Tchuda acertou no poste (24').
A segunda parte foi ainda mais eletrizante. Ao minuto 26, aproveitando o guarda-redes subido do Sporting, o Benfica adiantou-se em contra-ataque: Arthur assistiu Edmilson Kutchy para o 1-2. Os leões reagiram e, ao minuto 28, repuseram a igualdade num lance de bola parada: um canto forte de Merlim desviou em Carlos Monteiro para a própria baliza (2-2). E, ao minuto 30, o Sporting deu a volta com um golaço: Wesley recuperou a bola na zona central, equilibrou-se e disparou um remate fortíssimo para o 3-2.
O Benfica, porém, não baixou os braços e voltou a empatar num lance de enorme categoria. Ao minuto 33, numa jogada genial de Edmilson Kutchy, que fintou dois adversários antes de servir Cléber Souza, o brasileiro fez o 3-3, ainda que André Correia, entretanto na baliza encarnada, tenha tido de brilhar com duas defesas monumentais a Tomás Paçó e Rocha para segurar a igualdade. A reta final ainda trouxe mais emoção: ao minuto 36, Rocha viu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o Sporting em inferioridade, mas o Benfica não conseguiu aproveitar a vantagem numérica e o apito final confirmou a divisão de pontos.
Foi um empate justo e de grande nível entre os dois eternos candidatos ao título, num jogo em que o Sporting CP criou as melhores ocasiões, mas pagou caro os desperdícios a grande penalidade falhada por Bruno Pinto e os golos cantados atirados fora, deixando escapar dois pontos em casa. Já o SL Benfica, que chegou a este dérbi já com pontos perdidos, revelou enorme carácter para reagir sempre que ficou em desvantagem, contou com dois guarda-redes decisivos e sai de Alvalade com um ponto de grande valor, que o mantém na luta pela liderança. Um clássico digno da sua história.
Figura do Jogo: Edmilson Kutchy (SL Benfica)
O pivô foi o jogador mais influente do dérbi ao lado encarnado. Marcou o golo que colocou o Benfica na frente (1-2) e, no momento em que a equipa precisava, protagonizou uma jogada genial — fintando dois adversários — para assistir Cléber Souza no 3-3. Determinante nos dois momentos em que o Benfica reagiu, Kutchy foi o rosto da resiliência das águias. Menção para Wesley, autor de um golaço, e para os guarda-redes Léo Gugiel e André Correia, decisivos na baliza encarnada.
Foto - @castcandiphotography