João Matos eterniza mais de duas décadas de carreira em livro: «Mais do que espelhar uma carreira, é falar de um jovem que foi em busca de um sonho»
João Matos eterniza mais de duas décadas de carreira em livro: «Mais do que espelhar uma carreira, é falar de um jovem que foi em busca de um sonho»
A carreira de João Matos ganhou agora uma nova forma de permanecer no tempo. O histórico capitão do Sporting e da Seleção Nacional apresentou esta sexta-feira, na FPF Arena Portugal, o livro “Capitão João Matos: Liderar, Vencer e Inspirar”, uma obra da autoria de Tiago Guadalupe que percorre mais de duas décadas de futsal, títulos, liderança e relações construídas dentro e fora da quadra.
João Matos terminou a carreira no final da temporada 2025/26, deixando para trás um percurso que o colocou entre os jogadores mais titulados do mundo e como o internacional português com mais jogos pela Seleção Nacional, com 213 internacionalizações.
A apresentação reuniu família, amigos, antigos companheiros, treinadores e várias figuras do futsal português, num encontro que acabou por ser muito mais do que o lançamento de um livro: foi também uma homenagem ao legado de um dos nomes mais marcantes da história da modalidade em Portugal.
216 páginas para contar uma carreira de 213 internacionalizações
A obra conta com 216 páginas, praticamente tantas quantas as internacionalizações de João Matos pela Equipa das Quinas.
Mais do que uma cronologia de títulos e conquistas, o livro procura contar a construção do jogador e do líder, as experiências acumuladas ao longo dos anos e os valores que acompanharam o antigo camisola 9.
«Tornámos esta obra interessante e inspiracional. Mais do que espelhar uma carreira, é falar de um jovem que foi em busca de um sonho. Falei de vivências, experiências, valores e de tudo aquilo que o desporto proporciona ao jovem. Transformámos esta obra numa história muito bonita, traz mensagens fortes e emocionantes para cada um de nós», explicou João Matos durante a apresentação.
A obra tem introdução de Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, prefácio de Frederico Varandas, presidente do Sporting, e posfácio de Jorge Braz, selecionador nacional.
Nuno Dias: «O João não chegou líder, foi aprendendo a ser um líder»
Um dos momentos centrais da apresentação juntou João Matos a dois dos treinadores que mais marcaram a sua carreira: Nuno Dias e Jorge Braz.
Nuno Dias, que orientou o fixo durante 14 anos no Sporting, destacou sobretudo a evolução de Matos enquanto líder e a forma como construiu uma carreira de enorme longevidade sem depender exclusivamente do talento individual.
«O João não chegou líder, foi aprendendo a ser um líder à custa dos outros que o foram antes dele, à custa dos colegas com que partilhou balneário e foi crescendo. Tornou-se um líder. Mostrou que o talento não é suficiente para se tornar um grande jogador, muito menos para o ser durante tanto tempo. O João não é um prodígio, mas é um jogador taticamente muito evoluído, que teve consistência e disciplina. Não precisou de fintar ou de marcar golos para ter a carreira que teve. Foi extremamente importante para o sucesso da equipa», afirmou.
Uma descrição que ajuda a explicar aquilo que tornou João Matos diferente ao longo de tantos anos: leitura de jogo, inteligência tática, disciplina, capacidade competitiva e liderança.
Jorge Braz destaca o homem que ligava a equipa
Na Seleção Nacional, João Matos tornou-se igualmente uma das referências de uma geração que levou Portugal aos maiores títulos internacionais.
Para Jorge Braz, o impacto do antigo capitão ultrapassou aquilo que fazia dentro das quatro linhas.
«Foi se tornando uma pessoa essencial na forma como nos ligamos. Ajudou os colegas a ligarem-se entre si. A Seleção é uma família e a família é laço humano mais forte que existe. Se a equipa conseguir reproduzir minimamente esses laços, então é uma equipa a sério e foi isso que o João representou durante muitos anos.»
O testemunho do selecionador colocou a liderança humana no centro do legado de João Matos, reforçando uma das ideias que atravessa todo o livro: a carreira não se explica apenas pelos títulos, mas também pela influência exercida sobre aqueles que partilharam o balneário consigo.
Tiago Guadalupe transforma percurso em legado
A autoria da obra pertence a Tiago Guadalupe, que teve a responsabilidade de transformar mais de duas décadas de carreira numa narrativa capaz de ir além dos resultados e dos troféus.
O jornalista moderou também as duas conversas realizadas durante a apresentação.
Na primeira estiveram Jorge Braz e Nuno Dias, numa reflexão sobre liderança, capacidade de sacrifício, inteligência e leitura de jogo.
A segunda reuniu Tiago Valadas, diretor de marketing da Decathlon, e Inigo Pereira, presidente da União de Freguesias de Linda-a-Velha e Queijas, numa conversa mais centrada na inspiração, no impacto social e no legado que João Matos transporta para o pós-carreira.
A família do futsal reunida na Cidade do Futebol
A apresentação contou com vários nomes ligados à história recente da modalidade.
Entre os presentes estiveram José Gomes, vice-presidente da FPF, os diretores federativos Toni e Daniel Carriço, além de figuras como João Benedito, Bebé, André Sousa, Zezito, Paulinho, Cary, Marçal e José Luís Mendes, entre outros.
O evento terminou com uma sessão de autógrafos e um momento de convívio entre os convidados.
Depois de uma carreira construída durante mais de duas décadas, João Matos encerrou o capítulo competitivo em 2026. Agora, parte dessa história fica registada em papel.
“Capitão João Matos: Liderar, Vencer e Inspirar” não pretende apenas recordar o jogador que levantou troféus pelo Sporting e por Portugal. Procura explicar como se constrói um capitão, como se prolonga uma carreira no mais alto nível e como a influência de um jogador pode permanecer muito depois do último jogo.
E, desta vez, Tiago Guadalupe ajudou a transformar essa memória em legado escrito.
Foto:FPF