Jorge Braz não se deixa iludir pela goleada: «Fomos tentando aproximar-nos do 100»



Portugal goleou a Dinamarca por 10-3, mas Jorge Braz não deixou que a dimensão do resultado escondesse os aspetos a corrigir. O selecionador nacional reconheceu dificuldades na primeira parte, destacou a evolução da equipa após o intervalo e sublinhou a importância do equilíbrio coletivo. Questionado pela Zona Técnica Futsal sobre a exigência da nota 100, explicou como Portugal foi corrigindo os erros e aproximando-se do nível pretendido.

O triunfo expressivo diante da Dinamarca, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, não impediu Jorge Braz de realizar uma análise crítica à exibição portuguesa. O selecionador valorizou a capacidade ofensiva da equipa, mas reconheceu que existiram momentos em que Portugal não apresentou os comportamentos desejados.

«Houve momentos em que a Dinamarca teve mérito. Tem qualidade. Noutros momentos, não estivemos focados, não tivemos os nossos comportamentos.»

Braz reconheceu que nem todas as dificuldades resultaram de falhas portuguesas, atribuindo também mérito ao adversário. Ainda assim, reforçou a necessidade de corrigir determinados pormenores para evitar situações semelhantes nos próximos encontros.

Apesar desses momentos, preferiu valorizar a resposta dos jogadores e os aspetos positivos de uma vitória construída com dez golos.

«Errámos as primeiras perguntas do teste, mas depois fomos acertando»

Na antevisão, Jorge Braz tinha deixado uma mensagem clara: Portugal deveria trabalhar sempre para a nota 100, porque 99 poderia não chegar.

A Zona Técnica Futsal recuperou essa afirmação na conferência de imprensa e questionou o selecionador sobre a nota que atribuía à exibição portuguesa após o triunfo por 10-3.

A resposta voltou a recorrer à linguagem escolar, desta vez para explicar as dificuldades iniciais e a evolução da equipa durante o encontro.

«Errámos as primeiras perguntas do teste, mas depois fomos acertando e corrigindo. Tentámos aproximar-nos disso.»

Jorge Braz destacou a capacidade dos jogadores para identificarem os problemas e ajustarem progressivamente o seu desempenho.

«Tivemos a oportunidade de corrigir, construindo as coisas naturalmente. Tivemos tempo de corrigir, de melhorar bastante. Pensámos melhor nas coisas, fomos mais intencionais na segunda parte.»

O selecionador identificou também uma diferença importante na forma como Portugal passou a assumir o risco, sobretudo depois do intervalo.

«Até no risco que corremos. Corremos risco, porque é assim que tem de ser. Mas fomos mais calculistas e mais intencionais nesse risco.»

A melhoria permitiu à Seleção aproximar-se dos padrões pretendidos, embora Jorge Braz tenha deixado claro que ainda existe margem de progressão.

«E depois fomos tentando aproximar-nos do 100.»

«Marcar dez golos é sempre um resultado robusto»

A produção ofensiva foi outro dos temas abordados na conferência de imprensa. Portugal marcou dez golos, mas criou oportunidades para ampliar ainda mais a diferença, encontrando pela frente um guarda-redes dinamarquês que acumulou várias intervenções.

Jorge Braz reconheceu a dimensão do resultado.

«Marcar dez golos é sempre um resultado robusto.»

Mais do que a eficácia na finalização, o selecionador destacou as soluções apresentadas pela equipa portuguesa, embora tenha alertado para a necessidade de não confundir capacidade de marcar com controlo absoluto do jogo.

«Nós temos de ser muito consistentes naquilo que fazemos. Essa consistência, esse potencial, essa naturalidade de que vamos marcar e de que as coisas vão acontecer desta forma, também não nos pode levar a dar essas vantagens às vezes.»

A mensagem centrou-se na importância de encontrar um equilíbrio entre a criatividade ofensiva e a segurança defensiva. Para Braz, uma equipa que pretende competir entre as melhores do mundo não pode depender exclusivamente da sua capacidade de finalização.

O desafio passa por associar a qualidade técnica e a eficácia no ataque a uma maior concentração, organização coletiva e capacidade de decisão nos momentos de maior exigência.

A exigência não muda com o resultado

As declarações de Jorge Braz deixaram uma ideia clara: o resultado pode ser expressivo, mas a avaliação do desempenho não se esgota nos golos marcados.

Portugal demonstrou capacidade de reação, encontrou diferentes soluções ofensivas e apresentou uma segunda parte mais controlada. Ainda assim, os momentos de menor concentração e os desequilíbrios da primeira metade não passaram despercebidos ao selecionador.

A reflexão de Braz vai além da goleada. Trata-se de construir uma equipa capaz de preservar a sua identidade, interpretar os diferentes momentos do jogo e tomar decisões mais eficazes, independentemente da qualidade do adversário.

Dez golos confirmaram o potencial ofensivo português. Mas, para Jorge Braz, a excelência exige mais do que marcar: exige saber controlar, decidir e corrigir. A nota 100 permanece como referência.

Zona Técnica Futsal | Declarações de Jorge Braz após o Portugal–Dinamarca (10-3), no apuramento para o Mundial 2028.

foto: ruipereiraphotography


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