Atlético desperdiçou e pagou caro frente a um Feijó organizado
A primeira parte teve um dono claro e um marcador que dizia o contrário. O Atlético CP carregou, teve a bola e procurou o remate, mas fê-lo quase sempre em andamento lento, sem aceleração nem vantagens descobertas no meio do terreno. O Feijó montou-se a defender a meio campo, por vezes já à entrada dos 12 metros, fechado e baixo, com Diana a esticar o jogo sempre que podia e com a equipa a procurar o contra-ataque e os lances de esquema. As melhores jogadoras do Atlético não conseguiram desequilibrar e as oportunidades claras não passaram das três.
E então chegou o lance que mudou a tarde. À passagem dos 16 minutos, com Lelê em guarda redes subida, o Atlético falhou um passe na construção; o Feijó roubou a bola, avançou e Guida atirou para a baliza deserta, fazendo o 0-1. Eficácia pura: a primeira vez que o adversário se expôs, o Feijó castigou. Ao intervalo mantinha-se o 0-1.
O segundo tempo repetiu o guião. Aos 30 minutos o marcador continuava igual, com o Feijó a defender bem, fechado, a travar o meio e a aguentar as investidas, a jogar com as suas armas, e com Pris segura e atenta na baliza. Do outro lado, um Atlético sem inspiração que desperdiçou as três ou quatro boas ocasiões que construiu, explicação simples para a desvantagem e para o zero no seu lado do placar. A espaços, o Feijó ainda foi atacando.
A quatro minutos do fim, o Atlético passou a jogar claramente com Lelê bem subida, e foi dessa aposta que nasceu a recompensa. A 2 minutos e 24 segundos do final, aos 37, com a guarda redes subida, o Atlético descobriu bem o segundo poste e Beatriz Sanheiro atirou para o 1-1. O pavilhão veio abaixo e o jogo ganhou a emoção que até ali lhe faltara. O Atlético manteve a guarda redes bem subida até ao apito final e o Feijó, nesse período, também poderia ter marcado. Ficou o empate.
Num jogo sem vencedor, ganha mais quem esperava menos. O Futsal Feijó/Metaseguros saiu da Tapadinha com um ponto construído a partir de um plano claro: bloco baixo, meio fechado, paciência e a certeza de que o erro adversário havia de chegar. Chegou aos 16 minutos e deu-lhe 21 minutos de vantagem. Falhou ao Atlético CP aquilo que mais lhe custou toda a tarde, a inspiração nos últimos metros: muita posse, muito tempo com a bola, pouco perigo real e três ou quatro oportunidades claras desperdiçadas que teriam resolvido o encontro bem antes do desespero final. Competitivamente, o Atlético deixa escapar dois pontos em casa; o Feijó, que entrou na jornada no último lugar e sem qualquer ponto, soma o primeiro da temporada e leva daqui, sobretudo, a prova de que o seu plano funciona.
Figura do Jogo: Guida (Futsal Feijó/Metaseguros)
A capitã esteve atenta exatamente no instante em que o jogo ofereceu alguma coisa ao Feijó. Quando o Atlético falhou o passe com a guarda redes subida, foi ela quem apareceu no fim da jogada para atirar para a baliza deserta e fazer o 0-1, golo que colocou a sua equipa a ganhar durante mais de metade do encontro e que ficou na origem do ponto conquistado. Menção obrigatória para Pris, segura e atenta na baliza do Feijó, e para Beatriz Sanheiro, autora do golo que salvou o Atlético já em cima do apito final.