Padres portugueses à (re)conquista da Europa
O diário do Minho escreve na sua edição online, que a seleção portuguesa de futsal do clero está de malas praticamente feitas para ir à conquista do título de tricampeões europeus.
Os 12 sacerdotes vão despir a batina e calçar as sapatilhas de futsal para participar na 11.ª edição do Campeonato da Europa de Futsal de Padres que se realiza de 21 a 23 de fevereiro na Croácia.
Os treinos começaram em setembro procurando conciliar o hobby com as responsabilidades paroquiais dos 12 padres jogadores oriundos das dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto e Vila Real.
Orientada por José Vasconcelos que, não sendo padre, acumula muita experiência em futsal que se revela fundamental, a seleção nacional de padres vai tentar conquistar pela terceira vez consecutiva o título de campeã da Europa, num campeonato onde participam 16 seleções.
«Estamos motivados com estes 12 atletas que se prepararam de forma guerreira para participar neste campeonato que é muito competitivo», disse o selecionador Manuel Fernando Silva que, além de Portugal, apontou a Croácia, Bósnia-Herzegovina, Eslováquia e Polónia como “crónicos candidatos ao título”.
Portugal é o alvo a abater
«O nosso objetivo é honrar as conquistas anteriores, dignificar a modalidade e a seleção, procurando alcançar a final e revalidar o título», adiantou o selecionador, ciente que «Portugal é o alvo a abater» neste campeonato.
O primeiro dia de campeonato será o mais complicado porque é quando se realiza a maior parte das eliminatórias, seguido de um dia de descanso, para que no último dia se apure o campeão.
As despesas com as deslocações e seguros são asseguradas pelos próprios padres, que receberam também o apoio de alguns patrocinadores.
Os interessados em integrar a seleção nacional de padres parecem ser muitos, contudo, a vontade em treinar parece não corresponder a essa vontade.
«Tudo isto exige responsabilidade e alguma maluquice. São muitos os padres que querem ir ao campeonato da Europa, mas são menos os que querem treinar», brincou o padre António Cunha.
Marco Gil: «conjugamos a nossa vida paroquial com este hobby»
O capitão da seleção, Marco Gil, garante que a conjugação entre o futebol e a vida sacerdotal é fácil. «Se nós soubermos o que queremos, no nosso dia a dia arranjamos sempre tempo e disponibilidade. Além disso, bebemos também do exemplo dos nossos paroquianos que estão presentes em atividades religiosas. E nós também conseguimos ter a nossa vida paroquial conjugada com este hobby de jogar futebol», explicou.
Durante o período em que os párocos se ausentam, as paróquias “ficam bem entregues”, a substitutos que os próprios padres tiveram que arranjar, garante o selecionador.
Sendo o futebol um desporto de paixões é também um desporto de muitos palavrões e, mesmo sendo um campeonato de padres, não deverá fugir à regra.
«O desporto tem sempre intensidade e, com toda a emoção e cansaço, é natural perder alguma lucidez e algum palavrão que aconteça é mais um desabafo do que uma ofensa», considerou o selecionador.
«Procuramos encarar o futebol também como uma missão e algo que nos aproxime das pessoas. Olhamos para os padres como participantes das coisas do mundo, procurando que o desporto seja valorizado. Nós também vivemos estas paixões do desporto e procuramos também aproximar-nos de outros países e culturas que de outra forma não aconteceria», concluiu.
Seleção portuguesa
Treinador: José Vasconcelos, treinador da equipa de futsal de Gualtar (Braga).
Selecionador: Manuel Fernando Silva, pároco de Alfena (Porto).
Guarda-redes: Marco Amaro, pároco de Bragada, Capeludos, Valoura, Vreia de Bornes (Pedras Salgadas) e Ricardo Dias, pároco de Alpendurada e Matos, S. Lourenço do Douro (Marco de Canaveses).
Marco Gil, pároco de Arcozelo (Barcelos).
António Cunha, pároco de Oleiros, Cuide Vila Verde, S. Tomé, Paço Vedro Magalhães (Ponte da Barca).
Carlos Rubens, pároco de Venda Nova, Ferral, Covêlo do Gerês, Cabril, (Montalegre).
Nuno Vilas Boas, pároco de Esmeriz, Cabeçudos, Palmeira (Vila Nova de Famalicão).
Jorge Silva, pároco de Mazedo, Cortes, Lara (Monção).
Joel Brito, pároco de Álvora, Portela, Extremo, Padroso (Arcos de Valdevez).
Custódio Branco, pároco de Soajo (Arcos de Valdevez), Lindoso, Britelo, Ambos-os-Rios, Germil e Ermida (Ponte da Barca).
Nelson Barros, pároco de Anhões, Luzio, Lordelo, Parada, Moreira, Trute (Monção).
Vítor Casanova, pároco de Cardielos e Montaria (Viana do Castelo).
José Miguel Cardoso, pároco de Estorãos, Felgueiras, Gontim, Revelhe (Fafe).
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